Aproesp e Defensoria divergem sobre ocupação de área em Taubaté
Associação ganhou ação na Justiça, mas Defensoria recorreu da decisão


Área fica na rua Bela Vista, no bairro Fonte Imaculada, em Taubaté
Divulgação/Aproesp
A ocupação de uma área na rua Bela Vista, no bairro Fonte Imaculada, em Taubaté, tem gerado uma divergência entre a Aproesp (Associação de Professores e Servidores Públicos do Magistério Oficial do Estado de São Paulo) e a Defensoria Pública da cidade.
De acordo com a associação, em 2010, 18 imóveis de propriedade da Aproesp foram invadidos por um mestre de obras contratado para finalizar os serviços de construção das casas, “o que possibilitou a vinda de mais invasores”, diz a nota. Em seguida, a associação entrou com uma ação para a reintegração de posse.
Segundo a Aproesp, o processo que tramita na 1ª Vara Cível de Taubaté, teve liminar deferida em agosto de 2013, determinando a imediata devolução do imóvel à proprietária, no entanto, “uma interposição de Agravo de Instrumento junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, pela Defensoria Pública de Taubaté, suspendeu os efeitos da liminar até o julgamento do presente recurso”, explica a nota da associação.
Durante o período em que o processo aguardava a análise pelo Tribunal, o juiz da 1ª Vara Cível de Taubaté, proferiu sentença em fevereiro de 2014, julgando totalmente procedente a ação em favor da Aproesp, e determinando a devolução da posse do imóvel para a proprietária.
Em seguida, segundo a Aproesp, a Defensoria Pública, interpôs outro recurso contra a decisão do juiz de primeira instância. Atualmente, o processo aguarda a reanálise pela 15ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
De acordo com o Dr. Wagner Giron, representante da Defensoria Pública, o recurso foi acatado por unanimidade pela 14ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. “Entrei com o recurso porque a decisão violou um princípio constitucional que determina um mínimo contraditório. Ou seja, essas pessoas não foram ouvidas no processo”, explica.
“Vinte famílias com cerca de 200 pessoas, entre eles 3 deficientes mentais, 80 crianças e idosos, me procuraram para defendê-las e estou fazendo o meu papel como defensor público. Defendo judicialmente pessoas pobres ou em condições de pobreza. As casas estavam abandonadas há cinco anos, com entulho, mato alto, e essas pessoas por uma necessidade entraram e ocuparam”, conta o Dr. Wagner Giron.
Segundo a Aproesp, os imóveis em questão, foram construídos pela associação com recursos próprios para beneficiar seus associados, e com o ocorrido, os mesmos foram privados de tal benefício, causando à instituição prejuízos morais e financeiros.
“Não somos contra o Defensor, pelo contrário respeitamos o trabalho da Defensoria Pública, porém não podemos aceitar que pessoas que tomam posse de propriedade alheia sejam tidas como certas e os verdadeiros proprietários penalizados. É dever e obrigação do Estado a garantia de moradia, desta forma o Defensor transfere a responsabilidade pública para o setor privado, e pode ainda estimular novas invasões”, diz o Prof. Elias Rahal Neto, presidente da Aproesp.
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