Tecnologia ajudou investigadores a solucionar morte de Jaqueline
Vídeos, conversas de whattsapp e Facebook ajudaram a esclarecer o caso

Para solucionar o caso da morte da vendedora Jaqueline Barros Vanderlei, a DIG (Delegacia de Invetigações Gerais) contou com a ajuda da tecnologia em várias etapas da investigação. Imagens de câmeras de segurança, conversas de celular, trocas de mensagens pelo aplicativo whattsapp e postagens em redes sociais serviram como provas e ajudaram a polícia a esclarecer os fatos e concluir o inquérito.
As primeiras hipóteses de investigação já surgiram no dia crime, quando logo em seguida os policiais tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança da loja e de estabelecimentos vizinhos ao local do crime. Nas primeiras imagens foram identificados o autor dos disparos e duas mulheres. Veja vídeo abaixo:
Algumas horas depois, os policiais retomaram as investigações ao se depararem com o ex-marido de Jaqueline internado no hospital após ter sido alvo de um tiro no abdômen. Porém, os investigadores já observavam nessa situação com a possibilidade do médico ter inventado o suposto latrocínio do qual se dizia vítima.
“Quando fomos até o pronto-socorro, visto que a vítima estava baleada, mas estava viva, nos surpreendemos com o fato de ser justamente o ex-marido da Jaqueline Barros. Ali, no pronto-socorro, ele já apresentou uma versão um tanto quanto confusa. Ele estava medicado, alvejado, mesmo assim a versão que ele nos passava não parecia verossímil”, comenta o chefe da investigação, Alexandre Silva, em um documentário sobre o caso divulgado nas redes sociais.
O primeiro contato dos policiais com o ex-marido internado foi gravado ainda no hospital, quando ele tenta falar sobre o que teria acontecido, mas aparenta que o efeito do remédio o atrapalha.
“Eu falei, me deixa em paz. Eu não. Minha casa roubada. Minha casa roubada. Eles. Eles. A mulher. A mulher falou. Me protege, por favor. Eles vão matar. Eles vão me matar”, diz o médico no vídeo. Confira abaixo:
No decorrer da investigação, a Polícia Civil conseguiu confirmar que antes de ser baleado dentro da própria casa, o ex-marido tinha feito uma viagem para Campos do Jordão. As imagens de uma câmera de segurança de um posto de combustível registraram o médico abastecendo o veículo às 20h20 do dia 8 de maio, duas horas depois da morte de Jaqueline e duas horas antes do tiro contra o médico. Veja abaixo:
A equipe da DIG utilizou das redes sociais para buscar ajuda da população em identificar ou adquirir novas informações sobre o trio que aparecia nas câmeras do local do crime. Dessa forma, uma denúncia anônima levou aos investigadores acessar a conta do Facebook de uma das mulheres, localizar o endereço de moradia e, com as provas, decretar a sua prisão.
Essa foi a primeira presa no caso –a prima da namorada do autor dos disparos. Após ter sido presa, foi levada para São José dos Campos, onde apontou novos detalhes para a equipe de investigação, como o local onde o Corola teria abandonado as roupas usadas no crime.
“Primeiro ela levou os policiais até o local onde o assassino teria trocado de roupa. Tanto que nas filmagens que nós divulgamos ele aparece com uma roupa vermelha. Ele correu três, quatro quarteirões do local dos fatos, se desfez das roupas e jogou no mato”, afirma delegado da DIG, Darci Ribeiro. Confira o momento no vídeo abaixo:
Para o delegado, a prisão dessa mulher foi um ponto importante para esclarecimento dos fatos e ligação entre todas as hipóteses que surgiram no decorrer da investigação.
“Ela confessou com detalhes o homicídio e depois identificou a mulher que estava com ela. Contou que era sua prima e identificou o mandante do crime, que seria o ex-marido de Jaqueline”, diz Ribeiro.
Em depoimento, a jovem apresentou detalhes de como aconteceu o contato para a participação no crime.
“Perguntei para a mulher do médico se tinha alguma coisa para eu fazer. Ela falou para mim que era pra resolver com o médico, mas eu não imaginava que ia ser isso. Eu pedi serviço pra ela, mas serviço, limpar casa, alguma coisa assim. Foi ai que o médico dela me falou que estava querendo dar um fim na ex-mulher dele. Por que ela estava dando muito trabalho, ameaçando a atual namorada e se eu sabia de alguém. Ai eu comentei com a minha prima, ela indicou o Corola. Ai o corola foi e fez o serviço”, diz trecho do depoimento da mulher à Polícia Civil.
Segundo a polícia, após essas declarações haviam novas provas concretas para o pedido da prisão temporária do ex-marido de Jaqueline que, alguns dias antes, tinha se recusado a prestar depoimento caso fosse filmado. Entretanto, os policiais utilizaram da situação para acompanhar e descobrir o novo endereço do médico.
“Como acontece em todos os casos, nós filmamos as oitivas, até para evitar no futuro ter que discutir a forma que ela foi colhida. Mas a assistência jurídica exigia que esse depoimento não fosse filmado. Houve um impasse e, até pelo fato de ele não ter sido intimado, não foi feito essa oitiva. Mas nós já aproveitamos para segui-lo. Ele pegou o veículo e não foi pra casa dele, foi para a cidade de Pindamonhangaba. Ao contrário do que ele tinha falado, que ele não era suspeito, que ia ficar na casa dele, ele fugiu da cidade”, diz Alexandre Silva.
Porém, o mandado de prisão temporária do médico só foi apresentado no fim da tarde do dia 16 de maio, quando os policiais já haviam passado o dia em frente à casa em que ele estava, em Pinda, e acompanhado o seu trajeto até o escritório dos advogados, em São José.
“Estávamos com medo de sermos vistos da casa. Ele saiu da casa aparentemente fugindo. Viemos em perseguição com viatura descaracterizada, de Pindamonhangaba até São José dos Campos. Estávamos sem saber se ele estava fugindo da gente ou se ele iria fazer alguma outra coisa. Quando chegou, percebemos que ele tomou rumo ao escritório do advogado, então ele não estava fugindo”, Silva descreve os momentos anteriores da prisão do ex-marido, que aconteceu logo após ele sair do escritório do advogado. Confira o momento abaixo:
Segundo o delegado à frente do caso, todas as provas e declarações ligavam o ex-marido como principal suspeito do caso.
“O ex-marido sendo médico, pessoa de alto nível, preparo financeiro, procurou pessoas da outra escala social, pobres, humildes. Infelizmente, ele assassino, e que se prontificou a matar por R$ 5 mil reais. Isso demonstra a astúcia dele, porque é uma pessoa que manda matar a sua ex-esposa por R$ 7 mil mesmo tendo o dinheiro para quitar a dívida. Ele deve ser segregado da sociedade preventivamente para evitar o cometimento de outros crimes”, afirma o delegado que concluiu o inquérito sobre o caso.
“O médico foi o mandante, Corola o executor, o assassino, e as outras três foram coautoras“, disse. Os cinco envolvidos no crime já tiveram a prisão preventiva decretada, no final de junho. Três já estão presos.
Entenda o caso
Jaqueline Barros Vanderlei, 28 anos, foi morta no dia 8 de maio com dois tiros no rosto por um homem dentro da loja de móveis em que trabalhava, na avenida São João. O suspeito teve o seu retratado falado divulgado pela Polícia Civil.
Na segunda-feira, 15 de maio, foi expedida a prisão preventiva uma das mulheres que aparecem nas gravações de câmeras de segurança da região, minutos antes do crime. Ela foi detida em Campos do Jordão e teria confessado a participação e apontado o envolvimento de outros suspeitos.
Na noite de terça, o ex-marido de Jaqueline foi preso na zona oeste de São José dos Campos e encaminhado para a cadeia de Caçapava. Sua atual namorada foi encontrada na casa de um familiar, em Pindamonhangaba, e levada para a cadeia de Santa Branca.
Após conclusão do inquérito, a Polícia Civil fez o pedido da prisão preventiva de quatro envolvidos: o ex-marido de Jaqueline, sua atual namorada, o atirador (conhecido como Corola) e a namorada.
As equipes policiais de São Paulo e de Curitiba seguem em busca de Corola e da namorada, além disso equipes da Polícia Federal de todo o país acompanham o caso e procuram pelo casal foragido. Os cinco envolvidos no crime já tiveram a prisão preventiva decretada, no final de junho. Três já estão presos.
Defesa
O advogado do ex-marido de Jaqueline, Cristiano Jhoukadar, disse ao Meon, no dia 17 de maio, dia seguinte à prisão do médico, que seu cliente “não tinha nenhum contato” com Jaqueline. Na data, Joukhadar contestou a versão dos investigadores sobre o crime e acusou a Polícia Civil de ignorar supostas ameaças sofridas pelo seu cliente.
No final do mês passado, Jhoukadar renunciou ao caso e não defende mais o médico. O Meon tentou informações e o contato do novo advogado, mas não conseguiu.
*colaboração da Investigação Ponto 40 com áudios e vídeos
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