Universidades da região apostam na popularidade dos cursos tecnólogos
Mais curta e focada na empregabilidade, modalidade ganha adeptos na RMVale


Mais curtos, cursos duram média de três anos
Flávio Pereira/Meon
De olho em uma modalidade de graduação que não para de crescer, a Univap (Universidade do Vale do Paraíba) aumentou para 14 o número de cursos tecnólogos oferecidos pela instituição em 2015. Até o ano passado a universidade contava com apenas dois cursos no gênero.
Para 2015, a universidade passa a contar com os cursos de Tecnologia em Materiais de Construção, Processos Metalúrgicos, Saneamento Ambiental, Gestão Financeira, Gestão Comercial, Gestão Desportiva e de Lazer, Marketing, Processos Gerenciais, Estética e Cosmética, Gestão Hospitalar, Radiologia e Processos Escolares.
Caminho mais curto para conseguir um diploma, a modalidade tem como característica o foco em um perfil mais técnico, voltado, na maioria das vezes, para o mercado de trabalho. Os cursos têm duração de dois a três anos e oferecem disciplinas específicas, menos abrangentes do que as graduações tradicionais.
“São cursos que vem atender as formas de produção de hoje e do futuro, que sofrem um alto impacto dos avanços tecnológicos, seja pela introdução de inovações em si, seja pela velocidade com que elas são disponibilizadas, tornando os processos produtivos com níveis de complexidade crescentes”, explica a presidente da comissão do processo seletivo da Univap, Angela Krabbe.
Outra universidade da região, a Unitau, também tem investido na modalidade é a Unitau (Universidade de Taubaté). Atualmente são sete cursos de graduação tecnológica disponíveis, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Estética e Cosmética, gestão de RH, Logística, Petróleo e Gás, Produção Multimídia e Radiologia.
De acordo com Luis Fernando de Almeida, que dirige os cursos voltados à informática, o sucesso da modalidade está no foco na empregabilidade. De acordo com o professor, na somente na área de informática, a procura por estágios e empregos chega a superar a demanda na universidade.
“Muitos alunos do primeiro ano já estão cursando estágio. Nessa área, a procura das empresas é muito grande e não há mão de obra suficiente. O aluno do tecnólogo responde a todos os requisitos que o mercado de trabalho quer”, afirma.
Além de pessoas procurando uma vaga no mercado de trabalho, o curso tecnólogo também é uma alternativa para quem já está empregado alcançar um diploma de graduação de maneira mais rápida.
“Muitos estudantes já estão trabalhando na área, mas ainda não contam com um curso. Como trata-se de um caminho mais curto, as pessoas acabam procurando para se qualificar”, diz.
Números
Os dados do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), indicam que, em 2013, as cidades de São José dos Campos, Taubaté, Lorena e Pindamonhangaba somaram 4.040 alunos ingressantes em cursos técnicos de instituições públicas e privadas.
São José é a campeã, com 2.481 estudantes matriculados. Taubaté, com 1.047 vem logo depois, seguido por Pinda, com 367, e Lorena, com 145.
Desconfiança
Mesmo com as boas possibilidades de emprego, o diretor da CMP Consultoria, da Fundação Dom Cabral, Marcus Campos, vê com desconfiança o crescimento dos cursos tecnólogos. De acordo com o especialista, o país não conta com o mesmo modelo que dá certo em outros países.
“O país não tem o mesmo modelo tecnólogo de uma Alemanha ou uma França. As pessoas procuram um curso de ‘tiro curto’, mas que não oferece as mesmas condições de uma graduação tradicional. Na hora de conseguir um emprego, acredito que ainda haja um pouco de tabu contra esses cursos”, afirma.
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