Vale Ressaltar #2 – Os atores aprendizes
Ser resiliente e ser artista tem seu peso e ele não é nada fácil de carregar

Sim, o segundo texto desta colunista que vos escreve é sobre as turmas um e dois do Centro de Artes Cênicas Warmor Chagas. Desde de março de 2020, as nossas aulas estão sendo de forma online. Todos os cursos e matérias são difíceis quando ensinadas através de telas e mais telas, mas você já parou pra pensar em como é fazer Teatro Online? Você já parou pra pensar em atores, diretores de teatro, TV e cinema, dubladores, produtores, roteiristas, bailarinos, iluminadores, figurinistas, cenógrafos, dramaturgos, fotógrafos, cantores, músicos, etc e tal: trabalhando, estudando e, principalmente, criando usando a Internet? Como eles fazem? Como se sustentam? Como produzem? Como não desistem?
Eu não posso falar por todos eles, mas falo por mim: eu não desisto por amor. Eu não desisto, porque é o meu sonho na jogada e o sonho dos que estão a minha volta, convivendo comigo, aturando minhas inúmeras mudanças de humor, suportando minha vontade de chorar, gritar, espernear, jogar as páginas da dramaturgia para o alto. Eu não desisto por eles! Eles não desistem por mim!
Hoje, dia 3, amanhã, dia 4, também nos dias 7 e 8 de dezembro, às 20h através do Zoom/YouTube, a minha turma e a turma dois do CAC Walmor Chagas estará apresentando as montagens do segundo semestre. Nós estamos desde março (assim como toda a população consciente) nos encontrando através de telas de celular, tablet, computador e/ou televisão.
Nos tornamos um punhado de pixels. Não somos mais de carne e osso. Somos digitais. Nossos beijos, abraços, nosso toque é através de ondas de 4G ou Wi-fi. Nossos ensaios, nosso suor e lágrimas, não são mais palpáveis. A gente já não lembra do cheiro de cada um. Eu mesma nem me lembro mais se sou mais alta ou mais baixinha que uma das minhas colegas de turma. A gente sente uma saudade desconcertante e descontrolada um do outro. A gente quase não aguenta mais, mas a gente não desiste! Jamais!
Ser resiliente e ser artista tem seu peso e ele não é nada fácil de carregar, mas carregar em equipe/grupo/time é possível!

Nós vamos conseguir (e se não conseguirmos é só ensaiar mais e apresentar de novo)! Nada pode nos parar! Se a gente está vivendo e sobrevivendo uma Pandemia Mundial, o que mais não poderemos vencer quando ela acabar?
Avante, professores! A gente sabe que no fundo, no fundo, nós somos crias de vocês e se vocês são incríveis, logo… nós também somos!
Avante, artistas! O terceiro sinal do Teatro está soando!
Avante, amigos! A cortina vai abrir!
Avante, atores! Em suas posições. Silêncio na coxia!
Avante, público! Nosso show não pode parar!
Avante!
Avante!!
Avante!!!
#ValeRessaltar os Artistas, porque é hora de fazer o que fazemos de melhor: brilhar! Não importa como, em qual palco, em qual tela. O que importa é gritar “merda!” (para desejar “boa sorte”), cumprir o papel (literalmente), agradecer os aplausos e no outro dia… ahh… no outro dia começar tudo de novo e como já cantava Chico Buarque de Holanda: “Ir deixando a pele em cada palco / e não olhar pra trás / e nem jamais / jamais dizer / adeus”.
Atriz, Comunicadora e Produtora Iniciou sua carreira artística em 2006 como modelo e atriz. Participou do primeiro Núcleo de Artes Cênicas do SESI de São José dos Campos, montando as peças “O Mambembe”, “Olha a Onda” e “O Mistério de Hans” Em 2012 foi uma das fundadoras do Teatro Universitári…
Posts Relacionados



