Veja como a troca de comando da Petrobrás afeta mercado e preços

Ao contrário de outras refinarias, ainda não há previsão de venda da Revap, que abastece Guarulhos

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Eleito na semana passada, o novo comandante da Petrobrás e ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME (Ministério de Minas e Energia), José Mauro Coelho, terá o desafio de procurar um equilíbrio entre as pressões contra a política de preços dos combustíveis com as regras da companhia e com o bolso do consumidor, tendo como cenário de fundo as eleições. Como o mercado começou a reagir?

Quem explica é o economista e assessor de investimentos Gustavo Neves, da Maestro Investimentos, presente na capital paulista, São José dos Campos, Minas Gerais, Goiânia Tocantins e Espírito Santo.

“Na data do anúncio de Coelho, no dia 14 de abril, as ações da Petrobras apresentaram queda e o valor chegou a R$31,40 para PETR4 e a R$34,57 para a PETR3. Mesmo com a baixa, os investidores durante toda esta semana almejavam o pagamento de dividendos da empresa, mas, somente terá direito ao dinheiro extra quem comprou ações da companhia até o fim do pregão do dia 13 de abril. A previsão é que o pagamento seja feito em maio. Nesta curta semana que entra a volatilidade com as ações da Petrobras deve continuar”, explicou Neves.

Política de Preços X Consumidor

Por hora, José Mauro Coelho defende a política de preços da Petrobras, isto é, os preços dos combustíveis continuam atrelados às cotações do dólar e do petróleo no mercado internacional.

“O novo presidente defende essa medida, pois caso contrário, ele considera risco de desabastecimento. Ele justifica que é preciso acompanhar os preços externos para garantir o abastecimento, já que o Brasil não refina todo combustível consumido”, acrescentou.

Com relação ao preço do barril do petróleo, após o pico da pandemia, o preço chegou a US$70 no fim de 2020. Recentemente, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o barril chegou a US$130 e a expectativa é que continue volátil.

“Coelho deverá ter um fôlego, pois o mercado sinaliza que para os próximos dias ocorra uma ‘estabilização’ do preço do barril, ficando como está, em torno de US$100. Consequentemente, o consumidor da bomba de combustível sentirá um ‘freio’ na alta do preço”.

Refinarias

Para o economista, os sinais indicam que o novo comando manterá o acordo das vendas das refinarias. Até o momento, foram vendidas as da Bahia, Amazonas e Paraná; continuam fora das vendas as refinarias do Sudeste, como é o caso da Revap, de São José dos Campos, que abastece o aeroporto de Guarulhos.

Petrobrás e eleições

A companhia continua em recuperação após enfrentar a crise durante o último governo de Dilma e após sentir diminuição da dívida no governo Temer, agora, enfrenta os percalços do governo Bolsonaro.

“Temos pela frente um período eleitoral que com certeza terá uma das pautas entre os presidenciáveis a Petrobras e o preço dos combustíveis. O fato é que especialistas defendem que a empresa se concentre em que ela é realmente mais eficiente que é a exploração do Petróleo. O mercado financeiro quer clareza de negócios, que a empresa se desenvolva, seja competitiva e lucrativa. O bom desempenho da Petrobras é importante não somente para investidores, mas também para o país, pois hoje, ela responde por cerca de 4% do PIB brasileiro”, concluiu Neves.

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