Volta às aulas

Passado o momento de ansiedade, olhou para o lado e lá estava Emily

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Volta às aulas

No início do ano muitas coisas se renovam e as pessoas se enchem de energia para as mudanças e para os muitos projetos que prometeram realizar enquanto pulavam as sete ondas ou enquanto se despediam do ano velho e celebravam a chegada do novo.

Para os alunos da Escola Nelson do Nascimento Monteiro, não é diferente. Cada início de aula vem carregado de expectativas: novos professores, novos alunos, nova sala de aula e um novo ano escolar.

Para alguns, a certeza de que aqueles amigos e aquelas amigas continuarão na mesma turma. Para os novatos, a ansiedade de saber como será a vida em uma cidade que não conhecem ou como serão recebidos pelos futuros amigos da nova escola.

A ansiedade foi bem maior para João Gabriel, que nasceu e cresceu no sítio de uma pequena cidade do interior. Antes da mudança para São José dos Campos com seus pais, nunca tinha viajado além das cidades vizinhas.

Quando chegou, teve a impressão de que alguém tinha acelerado o mundo e plantado prédios para todos os lados. Os carros andavam numa velocidade que não era comum para ele, e o movimento das pessoas de um lado para o outro era parecido com as atividades nos formigueiros lá do sítio.

João Gabriel teve pouco tempo para se adaptar ao ritmo da cidade antes de encarar os próximos desafios, segunda-feira será seu primeiro dia na Escola Nelson Monteiro.

Do outro lado da cidade, foi difícil para a mãe de Emily convencê-la a sair da cama, muito cedo para quem estava em férias até o dia anterior. Abriu e fechou os olhos várias vezes e demorou para acordar e cair na real de que era segunda-feira, o seu primeiro dia de aulas numa escola onde não conhecia ninguém.

Sentiu um frio na barriga e a insegurança do recomeço em uma cidade distante dos seus amigos e parentes. Isso foi o suficiente para deixar Emily totalmente acordada.

Com a ajuda da mãe, vestiu o novo uniforme, tomou o café da manhã e foi para a escola. Apesar de estar acostumada com as mudanças frequentes por causa do trabalho do pai, uma nova cidade era sempre uma nova cidade e a adaptação de Emily às vezes não era muito tranquila, o que deixava sua mãe mais ansiosa do que ela.

Estacionou o carro em frente à escola e ajudou a filha a se acomodar na cadeira de rodas. Daí pra frente a mãe saía de cena, porque Emily não gostava de ser conduzida, queria provar para todos que, apesar da sua deficiência, era uma pessoa independente e sabia se locomover sozinha.

Emily olhou para trás para dar tchau e não notou que João Gabriel vinha na mesma direção, passou com a roda da cadeira sobre seu pé. João Gabriel deu um sorriso amarelo diante do pedido de desculpas de Emily e seguiu adiante.

João Gabriel se distraiu olhando a nova escola e, quando notou, seus colegas já tinham entrado para a sala de aula. Correu e sentou-se na primeira carteira que encontrou vazia. Passado o momento de ansiedade, olhou para o lado e lá estava Emily.

Os dois se olharam e trocaram um sorriso, que deixava oculta uma história que compartilhariam nos meses seguintes de aula.

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