Campanha “Demita um petista” ganha repercussão no Vale do Paraíba
Publicações incentivam demissões e boicotes por posicionamento político; Ministério Público do Trabalho alerta que retaliações contra funcionários por suas convicções podem configurar assédio eleitoral

Uma campanha nas redes sociais que incentiva a demissão de trabalhadores que votaram no PT ganhou repercussão após o resultado das eleições presidenciais de 2026. Com o nome “Demita um petista”, o movimento também chegou ao Vale do Paraíba, com manifestações em cidades como São José dos Campos, Jacareí, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Caraguatatuba e Ubatuba.
As publicações defendem que empresários dispensem funcionários identificados com a esquerda, deixem de contratar apoiadores do Partido dos Trabalhadores e boicotem estabelecimentos associados a posições políticas contrárias às suas.
A mobilização provocou reações e levantou discussões sobre os limites da liberdade de expressão e a discriminação no ambiente profissional. A legislação brasileira protege a liberdade de convicção política e proíbe práticas discriminatórias na contratação e na manutenção do emprego.
Demissão por voto pode configurar discriminação
O Ministério Público do Trabalho (MPT) considera que o assédio eleitoral pode ocorrer antes, durante e depois das eleições. A prática inclui ameaças, constrangimentos, perseguições e retaliações relacionadas à preferência política de trabalhadores.
A Constituição Federal protege a liberdade de consciência e de convicção política. Já a Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias para efeitos de acesso ou manutenção da relação de trabalho.
Assim, a demissão motivada exclusivamente pela posição política de um funcionário pode ser questionada na Justiça do Trabalho. Dependendo das provas e das circunstâncias, o empregador pode ser responsabilizado e obrigado a reintegrar o trabalhador ou pagar indenização, entre outras medidas previstas na legislação.
A avaliação depende de cada caso. A simples divergência política não comprova, por si só, a ocorrência de assédio eleitoral, mas ameaças e retaliações relacionadas ao voto podem justificar uma investigação.
Como denunciar
Trabalhadores que sofrerem pressão para revelar o voto, ameaças de demissão ou outras formas de retaliação por suas convicções políticas podem procurar o Ministério Público do Trabalho.
Mensagens, gravações, publicações em redes sociais e relatos de testemunhas podem ajudar na apuração. A orientação é preservar as provas e registrar as circunstâncias dos episódios.
As denúncias podem ser feitas pelo site oficial do Ministério Público do Trabalho, inclusive por meio dos canais eletrônicos disponíveis.
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