Do funk ao rock: o que a Geração Z está ouvindo em 2026

Dados recentes de plataformas de streaming e pesquisas sobre comportamento mostram uma geração que mistura gêneros, redescobre músicas antigas e descobre novos artistas pelas redes sociais

Escrito por: Sabrina Martins4 min de leitura
Foto: Vitaly Gariev/Unsplash
Foto: Vitaly Gariev/Unsplash

A forma como a Geração Z consome música está mudando. Para os jovens nascidos entre 1997 e 2012, ouvir música não significa apenas escolher um gênero ou artista: o consumo passa por plataformas de streaming, redes sociais, vídeos curtos, tendências e comunidades formadas em torno dos artistas.

Um dos levantamentos mais recentes sobre o comportamento da geração é o Culture Next 2026, do Spotify. Segundo a plataforma, a Geração Z representa 35% de sua audiência e passa, em média, duas horas por dia fazendo streaming. O relatório também aponta que o funk brasileiro está entre os gêneros que mais crescem entre esse público. Entre os ouvintes de 14 a 18 anos, a probabilidade de ouvir funk brasileiro é 2,7 vezes maior do que na audiência geral do Spotify.

Rock também voltou a ganhar espaço

Embora gêneros como funk, trap, rap e sertanejo tenham forte presença entre os jovens brasileiros, o rock também apresentou crescimento entre a Geração Z.

Dados do Spotify divulgados em 2025 mostraram que o consumo de rock pela geração no Brasil aumentou 9% em relação a julho de 2024 e 21% na comparação com julho de 2023.

Entre os artistas de rock mais ouvidos pela Geração Z brasileira estavam Linkin Park, Arctic Monkeys, Charlie Brown Jr., Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers. Os subgêneros mais consumidos incluíram rock brasileiro, alternative rock, pop rock, classic rock e indie rock.

O movimento também aparece nas redes sociais. Dados divulgados pelo TikTok apontaram aumento de 23% nas buscas pela hashtag #rock no Brasil nos seis meses anteriores à publicação do levantamento, em setembro de 2025.

Música antiga volta a circular entre os jovens

A relação da Geração Z com músicas de outras décadas também chama atenção. Canções antigas podem voltar a ganhar espaço anos depois do lançamento quando aparecem em vídeos curtos, memes, séries ou conteúdos produzidos por usuários.

Esse comportamento ajuda a explicar por que artistas e bandas que começaram suas carreiras antes mesmo do nascimento de parte da Geração Z continuam presentes nas plataformas. No caso do rock, músicas de grupos como Linkin Park, Guns N’ Roses, Queen e Red Hot Chili Peppers permanecem entre as mais consumidas pelo público jovem.

A descoberta, porém, acontece de uma maneira diferente. Em vez de conhecer um artista necessariamente por um álbum ou rádio, o jovem pode encontrar alguns segundos de uma música no TikTok, Instagram ou YouTube e, a partir daquele trecho, procurar a faixa completa em uma plataforma de streaming.

Gêneros ficam menos definidos

Uma pesquisa da YPulse publicada em junho de 2026 também aponta para uma mudança na relação dos jovens com os gêneros musicais. O levantamento destaca a chamada “fluidez de gêneros”: em vez de se limitar a um único estilo, os jovens transitam entre diferentes sons de acordo com o momento, a tendência ou o conteúdo que estão consumindo.

O estudo aponta ainda que Spotify, YouTube e TikTok formam um ecossistema integrado para o consumo musical dos jovens, enquanto as redes sociais passaram a ocupar um papel central na descoberta de novos artistas e músicas.

Brasil mantém forte presença da música nacional

O cenário brasileiro reforça essa característica. Segundo dados da Pro-Música divulgados em janeiro de 2026, 47 das 50 músicas mais tocadas no país em 2025 eram de artistas brasileiros. O ranking reuniu dados de Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster.

Pagode, sertanejo, funk, trap, forró, arrocha e piseiro apareceram entre os gêneros presentes nas músicas mais ouvidas.

No Spotify, o crescimento da música brasileira também foi registrado em 2025. Segundo dados divulgados pela plataforma em 2026, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties no Spotify durante o ano, enquanto o português foi o idioma que mais cresceu entre aqueles que geraram mais de US$ 100 milhões na plataforma.

O funk também ganhou destaque no cenário internacional: segundo o Spotify, foi o gênero que mais cresceu globalmente entre aqueles que geraram mais de US$ 50 milhões em 2025, com alta de 36% em relação ao ano anterior.

A música como identidade

Mais do que uma trilha sonora, a música continua sendo uma forma de expressão e construção de identidade para os jovens. O relatório da YPulse de 2026 aponta que a música está ligada à maneira como os jovens se definem, processam emoções e passam pelo cotidiano.

Com algoritmos recomendando faixas, redes sociais criando tendências e plataformas permitindo acesso praticamente imediato a diferentes épocas e gêneros, a Geração Z tem contato com um repertório musical mais amplo.

O resultado é um cenário em que uma mesma pessoa pode ouvir funk, sertanejo, trap, rock dos anos 2000 e MPB no mesmo dia — e descobrir todos esses sons a partir de diferentes caminhos digitais.

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