Lula reeleito terá de remanejar R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para pagar promessas

Governo estima que precisará remanejar cerca de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para bancar medidas anunciadas na campanha, como o reajuste do Bolsa Família.

Escrito por: Sabine Baumann2 min de leitura
Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0)
Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0)

Reeleito neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai precisar remanejar cerca de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para bancar medidas anunciadas nas últimas semanas da campanha. A estimativa é do Ministério do Planejamento e Orçamento, segundo a CNN Brasil.

O valor equivale a pouco mais de 1% das despesas discricionárias, aquelas que o governo pode cortar ou remanejar, previstas para 2027 dentro do limite de gastos.

Quais são as medidas

  • Reajuste do Bolsa Família: custo estimado de R$ 22,7 bilhões;
  • Terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas: R$ 5 bilhões;
  • Ampliação do Pé-de-Meia para estudantes universitários, prometida na reta final da campanha;
  • Pix MEI, com repasses de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais;
  • Transporte público gratuito nos fins de semana, proposto em uma PEC enviada antes do segundo turno. A ideia é bancar a medida com 26,8% do valor reservado às emendas parlamentares, o equivalente a R$ 12 bilhões em 2027.

Além disso, a União vai deixar de arrecadar R$ 5,3 bilhões em 2027 com o fim das apostas on-line, as bets.

Meta fiscal mantida

Durante a campanha, Lula sinalizou que vai manter a estratégia fiscal do atual governo. A proposta para 2027 prevê um superávit primário de 0,5% do PIB, o equivalente a R$ 73,2 bilhões, e a equipe econômica afirma que a meta está mantida, apesar do custo das medidas.

Os benefícios anunciados ao longo da campanha somam cerca de R$ 298,4 bilhões em 2026, considerando medidas de crédito, renúncias fiscais e impactos nas despesas primárias.

O que dizem os especialistas

Para Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), o ponto de partida do ajuste fiscal já é desafiador, e qualquer medida que aumente gastos ou reduza receitas piora o cenário.

O especialista em contas públicas Murilo Viana defende medidas de médio prazo, como mudanças no abono salarial do PIS/Pasep e nas regras de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “Podem ser feitos ajustes no ritmo de crescimento das despesas”, afirmou.

Segundo Viana, o governo deve ter dificuldade para aprovar mudanças no novo Congresso, em que o PL terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado.

Com informações da CNN Brasil.

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