Os agentes de IA saíram do laboratório e já comandam operações de bilhões.

Em São Paulo, o Snowflake World Tour reuniu mais de 1.300 executivos.

Escrito por: Armindo Ferreira3 min de leitura
Crédito da foto: Armindo Ferreira.
Crédito da foto: Armindo Ferreira.

Meon Tech esteve pelos corredores, painéis e plenárias do Transamerica Expo Center, em São Paulo, para cobrir o Snowflake World Tour 2026. O evento reuniu mais de 1.300 executivos e deixou uma impressão clara: a conversa sobre inteligência artificial nas empresas deixou de ser promessa e virou rotina de trabalho.

A Snowflake é uma gigante americana que começou guardando dados na nuvem e hoje vende o que chama de “AI Data Cloud”. Na prática, ela junta informações espalhadas pela empresa em um só lugar, com regras de segurança, para que programas de IA capazes de agir sozinhos, os chamados agentes, consigam trabalhar sem expor segredos do negócio.

Logo depois da abertura, conversei com exclusividade com Baris Gultekin, o executivo que comanda a área de IA da empresa. Ele contou que a farmacêutica Sanofi está automatizando sua operação de compras, que movimenta bilhões, e que a varejista Under Armour usa agentes para coordenar lojas físicas, e-commerce e logística. “A IA não é mais uma questão secundária; ela é fundamental para a forma como as empresas estão pensando em seus negócios”, disse. O ponto de atenção, segundo ele, é o contexto: garantir que a IA enxergue os dados certos antes de decidir qualquer coisa.

O Brasil aparece nessa história como mercado prioritário. Bruno Barreto, que comanda a operação da Snowflake na América Latina, afirmou que o país está entre os que mais crescem no mundo nessa área. E que o peso dos sistemas antigos das empresas brasileiras acabou ajudando: “Para nós, isso é uma grande oportunidade, porque está acelerando a migração de sistemas legados”. A regra, segundo ele, é simples: “Você não vai conseguir ter uma estratégia de IA sem ter uma estratégia de dados por trás”.

Guilherme Kanagusku, diretor de clientes e expansão no Brasil, olhou para 2027 e prevê que as empresas vão alternar entre modelos de IA abertos e fechados conforme a tarefa, buscando o melhor equilíbrio entre custo e desempenho.

Quem usa no dia a dia confirmou o cuidado. Luiz Feltrim, da centenária Komatsu, contou que a equipe de TI ganhou produtividade com a IA em ambiente controlado, e deu um recado sobre o uso escondido de ferramentas pelos funcionários, a Shadow AI: “Não adianta nada tentar impor algo no usuário”. Para ele, a saída é direcionar cada pessoa para usar a tecnologia do jeito certo e seguro.

Rodrigo Cruz, da consultoria Keyrus, resumiu o clima do evento: “A IA já não se discute mais se a gente precisa ou se deveria implementar; nós estamos num momento de execução”. Ele citou a Esfera Energia, que ajusta preços com base em dados do clima, e o Iguatemi, que criou um concierge digital para os visitantes, e lembrou que o desafio agora é a confiabilidade, “sempre com o humano no comando”.

Armindo Ferreira
Armindo Ferreira

Redator

Armindo Ferreira, que acumula mais de 15 anos de experiência na cobertura de tecnologia. Ao longo da carreira, passou pela TV Globo, foi colunista de tecnologia do SBT News, apresentador da TV Thathi SBT e é autor do Blog do Armindo, um dos mais antigos veículos independentes de cobertura tecnológic…

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