PF descobre orientações de pagamentos de lobista a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social

Polícia Federal identifica mensagens de Roberta Luchsinger orientando repasses a servidores do MDS antes de contratos milionários

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto2 min de leitura
Foto: Ministério do Desenvolvimento Social/Divulgação
Foto: Ministério do Desenvolvimento Social/Divulgação

A Polícia Federal (PF) identificou trocas de mensagens no telefone celular da lobista Roberta Luchsinger com orientações diretas para a realização de transferências financeiras a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Os repasses teriam como destinatários Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto da pasta, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador de cerimonial do ministério.

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As conversas, datadas de junho de 2023 e obtidas após a quebra de sigilo da investigada, mostram Roberta orientando o operador financeiro Ulisses Barbosa a efetuar os depósitos e enviar os comprovantes. Durante o diálogo, o operador expressou receio em relação ao manuseio de R$ 60 mil em espécie mantidos pela empresária e alertou para as regras de monitoramento do Banco Central quanto a depósitos volumosos em dinheiro vivo, sendo instruído a fracionar os montantes em contas distintas.

Pouco mais de seis meses após as movimentações bancárias, o Ministério do Desenvolvimento Social formalizou um contrato de R$ 31,2 milhões com a empresa 3Structure, representada por Roberta. Já em abril de 2026, a mesma pasta assinou um novo contrato com a empresa, somando R$ 19,2 milhões.

A empresária de 41 anos já foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades no INSS. Em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF também analisa se a lobista atuava como intermediária de repasses para Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em conversas como possível beneficiário de pagamentos. A reportagem manteve o espaço aberto para manifestação do ministério e das defesas dos citados.

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