Saúde Infantil: Uso excessivo de antibióticos na infância eleva risco de alergias e doenças crônicas

Desequilíbrio da microbiota intestinal e resistência bacteriana são consequências do uso sem necessidade

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
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Com o aumento dos quadros respiratórios e viroses, muitos pais acabam buscando rapidamente a prescrição de antibióticos para aliviar os sintomas das crianças. No entanto, o uso repetido e sem necessidade real desses medicamentos nos primeiros anos de vida pode trazer prejuízos sérios à saúde infantil.

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O uso frequente está associado a uma série de complicações, incluindo:

• Desequilíbrio do intestino (microbiota)

• Maior propensão a alergias

• Risco de doenças crônicas

• Possíveis impactos no desenvolvimento neurológico

Em muitos casos, como em infecções virais (incluindo algumas dores de garganta), o antibiótico não é indicado e pode ser mais prejudicial do que benéfico.

O Impacto na Imunidade da Criança

O Dr. Hamilton Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que o problema central está na ação indiscriminada da medicação.

“Os antibióticos eliminam tanto bactérias nocivas quanto as benéficas, essenciais para a formação da microbiota intestinal. Esse desequilíbrio pode causar   diarreias, desconfortos gastrointestinais e enfraquecimento da imunidade,” explica o Dr. Robledo.

O cenário reforça a necessidade de atenção, pois o uso desnecessário interfere na microbiota, aumentando o risco de condições futuras que podem acompanhar o indivíduo por muitos anos.

Alerta sobre Resistência Bacteriana

Outro ponto de grande preocupação é a resistência bacteriana. O uso inadequado fortalece microrganismos, reduzindo as opções terapêuticas para infecções graves no futuro.

A chave, segundo o especialista, é discernir quando o medicamento é realmente necessário, como em casos de pneumonia ou infecção urinária comprovada, e evitar que ele se torne a primeira resposta a qualquer febre ou mal-estar.

Orientações do Pediatra para Pais e Cuidadores

O Dr. Robledo orienta pais e cuidadores a adotarem as seguintes práticas:

• Critério Médico: Usar antibióticos somente diante de confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana, sempre com indicação profissional.

• Não à Automedicação: Evitar a automedicação e jamais utilizar sobras de tratamentos anteriores.

• Infecções Virais: Não insistir em antibióticos para quadros virais, que não são tratáveis com esse tipo de medicamento.

• Cuidados Básicos: Observar se a criança melhora com hidratação, descanso e controle de sintomas antes de recorrer a medicamentos fortes.

• Prevenção: Manter vacinas e consultas de rotina em dia.

O pediatra conclui que a responsabilidade é compartilhada: “Quando usamos antibióticos com critério, protegemos não só o organismo da criança, mas também todo o arsenal que a medicina dispõe para tratar infecções sérias.”