No caminho de volta do Acampamento-Base, pegamos um atalho para subir aos 5.550 metros do Kala Patthar, de onde se tem a melhor vista do Everest. Cinco duras e desgastantes horas de caminhada sobre pedras soltas, com frequência usando as mãos como apoio. A 5.400 metros de altitude já avistávamos o cume do Everest com nitidez, o pico negro encravado entre o Nuptse e o Ombro Esquerdo. “Bem pertinho, gigante, imponente, claramente se sobressaindo”, anotei no diário.
De safáris o mundo está cheio. Na África há dezenas. No Walt Disney World, em Orlando, também tem. Há anos a modalidade é praticada no Pantanal. Até em São Paulo o Simba era safári.
Pousar na curtíssima pista de 460 metros à beira de um penhasco do aeroporto de Lukla, um dos mais perigosos do mundo, foi a parte de maior adrenalina da viagem. Os 35 minutos de voo entre Katmandu e Lukla em um instável bimotor para 15 pessoas foram o portal para uma dimensão em que mudam horizontes, perspectivas, prioridades.
Sol, céu azul espesso e neve parecem anular o frio com sua beleza. Foram poucos passos desde Lobuche até quebrar a simbólica barreira dos 5 mil metros. O vale fica cada vez mais estreito e as montanhas, mais altas. A chegada para o almoço em Gorak Shep (5.136m) é reconfortante, após transpassar riachos com finas e escorregadias camadas de gelo.
A saída de Namche Bazar simboliza ao mesmo tempo o desapego e a ousadia. Daqui para frente, há cada vez menos infraestrutura, banhos e oxigênio. Os primeiros passos do dia são sempre os mais empolgados, mas também os mais preguiçosos, pois os raios de sol ainda não quebraram o manto frio da madrugada.
Imensos picos nevados com nomes célebres. Vales com profundidades quase não dimensionáveis. Fotogênicas crianças sherpas diante de monumentos budistas com bandeirinhas tremulantes. Na mais famosa trilha do Nepal, que leva ao Acampamento-Base do Monte Everest, você encontrará um pouco disso tudo, sim. Mas o que mais povoará seu horizonte é chão. Chão, pedras, areia, poeira, galhos e folhas. Chão e as botas e bastões de caminhada dos companheiros à frente. Essencialmente, chão.
Cartagena foi a última cidade colombiana a conquistar a independência, em 1816 Divulgação “Me sinto estrangeiro em todas as partes, menos no Caribe”, disse certa vez Gabriel García Márquez Ao contrário do escritor premiado com o Nobel de Literatura em 1982, o visitante talvez não se sinta imediatamente em casa nos 1.300 quilômetros da porção […]
O maior trabalho de fotografar é a etapa posterior, a seleção das melhores imagens. Na Suíça, nenhum lugar deu tanta dor de cabeça quanto Lucerna. No melhor dos sentidos, claro. Em apenas um dia foram 1.031 fotos.
Um pouco por seu ar colonial e hospitaleiro e muito pela proximidade com as principais atrações turísticas da Chapada Diamantina, Lençóis é não apenas o ponto de chegada à região como a principal base para explorá-la. A concentração de agências de turismo, bons restaurantes e hotéis faz da cidade um porto seguro para aventureiros de todas as idades e perfis. Claro que há atividades proporcionais a todo tipo de disposição, mas de uma coisa todos podem desfrutar: as belezas.
Sentia uma estranha, porém deliciosa, exaustão após os cerca de 25 quilômetros percorridos naquele dia. De repente, a lanterna de cabeça iluminou o espelho do banheiro da casa de seu Wilson e dona Maria, e ali, por um instante, eu era um autorretrato da felicidade. Não sei bem se pelo esforço (já me encontrava quase em transe) ou se ali, naquele reflexo, me vi voltando quase 12 anos atrás, quando entrei pela primeira vez no mágico universo do Vale do Pati, coração e alma do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia.
ESPELHO INFINITO Quando algum amigo postar no Facebook fotos de uma paisagem infinitamente branca, com o solo tomado por hexágonos perfeitos, pode apostar: ele está no Salar de Uyuni, na Bolívia. A 600 quilômetros de La Paz, este deserto de sal com mais de 10 mil quilômetros quadrados é um dos roteiros mais cobiçados do país. O cenário, a 3.600 metros de altitude, é resultado da evaporação da água de antigos lagos salgados. Durante o inverno, a imensidão reluzente e seca ameaça cegar os desavisados (óculos escuros e protetor solar são vitais). No verão, as chuvas formam uma lâmina d’água que reflete o céu e dá ao turista a sensação de caminhar sobre nuvens. O que poucos sabem é que o deserto costuma ser apenas parte – a melhor, muitos dirão – de um tour em jipes 4X4 que pode durar de três a cinco dias. Ao longo do percurso, paisagens menos famosas também surpreendem. CAPRICHOS ROSADOS Sedimentos vermelhos e pigmentação de algas são os responsáveis por dar o tom improvável à Laguna Colorada. Exuberante, a paisagem contrasta tons amarelos e cinzas do deserto e suas montanhas com o vermelho líquido. Como se não bastasse o visual desnorteante, as águas ainda são lar dos flamingos-de-james. À beira da laguna há algumas opções de alojamento. Mas o passeio não termina quando o sol se põe. Ao cair da noite, olhar o céu estrelado é um espetáculo inesquecível. Mas prepare um bom casaco: seja verão ou inverno, o frio é de doer os ossos. FERRUGEM IDÍLICA O cenário é cinematográfico: um cemitério de trens no meio do deserto. No passado, o vilarejo de Uyuni era o entroncamento de linhas de trem de carga que seguiam rumo aos portos no oceano Pacífico. Até que, nos anos 1940, muitas empresas faliram com a crise na mineração e abandonaram seus bólidos metálicos espalhados por ali – para a alegria dos turistas. ILHA DE CACTOS Ponto improvável em meio ao deserto de sal, a Isla del Pescado surpreende de cara com seus imensos e abundantes cactos. Difícil não se perguntar como a vegetação pode existir (e resistir) em um ambiente tão inóspito, mas a explicação é simples: as plantas – que ali chegam aos 10 metros de altura – armazenam água das chuvas de verão. A razão do nome inusitado? Foram os índios aymara que batizaram a ilha que, vista de longe, parece ter o formato de um peixe.
Catedral de Cartagena Divulgação Nunca gostei da ideia de pendurar um audioguia no pescoço e escutar gravações sobre a história de um museu ou de uma determinada atração. Julgava se tratar de uma bobagem que eliminava o importante trabalho de um guia de carne e osso. Porém, meio por culpa de Cartagena, e muito por […]