Por Caroline Corrêa Em Especial Atualizada em 24 JUN 2020 - 19H49

Heróis da Pandemia: Profissionais da linha de frente falam da importância do trabalho durante crise da covid-19

É importante ter empatia e agradecer cada pessoa que se dedicou para diminuir os impactos da pandemia do coronavírus

Reprodução/Marvel
Reprodução/Marvel


Os heróis estão vivendo mais próximos de nós do que imaginávamos. Quando Thanos estalou os dedos em um dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, ele fez uma troca de heróis, que só agora se destacaram.

O Batman, Capitão América, Super- Homem, Homem de Ferro, Mulher-Maravilha e tantos outros heróis deixaram suas capas e máscaras de lado para dar lugar aos heróis reais: os médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros, jornalistas e muitos outros profissionais que se tornaram essenciais para combater um terrível vilão: a covid-19.

O campo de batalha é perigoso tanto quanto nas revistinhas. Os hospitais e as ruas já não são tão seguras. Os vigilantes reais estão expostos combatendo o mal invisível, que é bem diferente dos quadrinhos.

Num mundo onde os superpoderes não existem, os heróis reais protegem as pessoas sem ajuda de superforça ou visão de raio-x. Eles usam o poder do conhecimento, da ciência, dos estudos, da informação e da segurança pra proteger a população.

Até a Marvel Comics, considerada uma das maiores editoras de quadrinhos, publicou em suas redes sociais um cartoon chamado de “Nossos Heróis”, desenhado por Mike Hawthorne e colorido por Edgar Delgado. Os médicos, enfermeiros, entregadores, eletricistas, policias, professores e outros foram retratados em poses heroicas, assim como os Vingadores e X-Men, para exaltar os trabalhadores essenciais na luta contra o coronavírus.

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Fernando Bizarria é médico há nove anos e atua em São José dos Campos, Jacareí e São Paulo.

Há mais de nove anos, Fernando Bizarria se tornou um herói. Dr. Bizarria é sua ‘identidade secreta’, e diferentemente do Wolverine, um dos seus personagens preferidos nas revistinhas, não tem garras retrativas, mas demonstrou muita garra na batalha contra o coronavírus. “Meu primeiro caso foi com uma criança em São Paulo, eu estava de plantão. É assustador porque a gente não sabe como o paciente vai reagir”, relembra como foi o primeiro contato com um paciente que testou positivo a covid-19.

O médico contou que esses meses de quarentena tem sido difíceis, ele precisou ficar isolado. “Fiquei três meses sem ver meus pais, a gente não sabe se vai se infectar, se vamos passar pra outras pessoas. É muita preocupação”.

Bizarria desenvolveu alguns ‘superpoderes’ nesses anos de medicina, mas o pensamento positivo foi sua arma secreta durante a pandemia. “O pensamento positivo faz toda a diferença”. Foi assim que ele salvou um pequeno paciente com síndrome de down, de quatro anos. Ele tem imunodeficiência. “Ele já era meu paciente e testou positivo a covid-19, eu sabia que ele podia não resistir, mas eu pedi pra mãe da criança rezar e manter a fé. Deixamos na mão de Deus. Hoje ele está super bem”.

Ele faz parte de um grupo de heróis que se tornaram importantes durante a crise da covid-19. “Todo mundo é importante. Não tem grau de importância”, fazendo referência aos seus parceiros de equipe como enfermeiros, auxiliares, limpeza e muitos outros. “O médico tem sua importância, mas um complementa o outro”, completa.

Não muito longe dos hospitais, estão os vigilantes, assim como o Batman, mas eles não enfrentam supervilões malucos. “A polícia tá sempre em linha de frente para ajudar a comunidade”, contou o Ricardo Prolungati, Capitão da Polícia Militar, em São José dos Campos. “Se necessário for, damos nossas vidas pra quem a gente não conhece”, reforça.

Herói há mais de 23 anos, Capitão Prolungati nunca imaginou viver uma situação como essa: “A gente precisou fazer várias adaptações para proteger nosso efetivo, nossas famílias e nossa população”, conta. “Adotamos condutas preventivas com êxito. Tivemos poucos PMs que testaram positivo”, complementa.

Divulgação/PM
Divulgação/PM
Policiais Militares realizam ações solidárias para ajudar famílias carentes da RMVale


Durante a quarentena, os policiais não deixaram de fazer a segurança da população. “Passamos a fazer nosso trabalho com operação de visibilidade, procurando fazer o melhor na segurança”. Mas outro superpoder dos policiais é a solidariedade. Nesses meses de pandemia, eles realizaram ações de doação de alimentos. “É uma emoção porque essas pessoas realmente precisavam”.

Proluganti ainda diz que é gratificante fazer parte de algo tão grande. “É um orgulho, se a população acredita no nosso trabalho, é porque a gente faz parte da comunidade”.

Há mulheres-maravilha em meio a tudo isso. Aqui nossa heroína não é a Diana, mas sim a Roseane Ramos, que trabalha como gari há mais de três anos. “Me sinto honrada e valorizada com tudo isso que tá acontecendo”, quando se referiu a importância de seu trabalho em meio a crise da covid-19.

Divulgação/PMSJC
Divulgação/PMSJC
A coleta de lixo de São José teve um aumento em função do número maior de pessoas em casa.


Com uma superforça, Roseane não mediu esforços para lutar contra a doença. “A gente notou que a população está mais prevenida. As pessoas estão em casa consumindo mais e a gente está nas ruas de dedicando”, conta.

Ela diz que ser heroína é ter reconhecimento. “A gente recebe máscara e álcool em gel das pessoas quando passamos nas ruas”, observa.

Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, assim como o Homem-Aranha, Guilherme Machado, repórter há mais de dois anos, precisou se tornar ‘Amigão da Vizinhança’, estando presente em vários lares brasileiros através do jornalismo. “A gente tá se doando enquanto todo mundo está se recolhendo e a gente fica em evidência”, explica.

“O jornalismo é por essência estar na linha de frente de política, de esporte, da religião, da cultura. Quando se trata de informação no nosso país, a gente tá lá na linha de frente”, conta o repórter. Ele diz que esse momento de pandemia tá sendo interessante para mostrar a importância do jornalismo. “Se tornou um exemplo prático para quem não é jornalista entender dessa nossa importância, dessa nossa atividade”.

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Guilherme Machado é repórter da TV Aparecida há dois anos e já participou de coberturas especiais como a tragédia de Brumadinho


Nesses momentos de isolamento social, Guilherme Machado precisou se afastar da família para continuar a se dedicar a sua missão que é informar. “Eu tenho um filho de três anos e ele está na casa dos meus pais, eu passo semanas sem vê-lo”, diz.

Ele não quis vestir o manto de herói, mas se sentiu honrado ao comentar sobre fazer parte dessa história ao lado de tantos outros profissionais. “Eu tive que ouvir deles [médicos], falando que não se sentiam heróis, que estavam ali porque essa é a nossa função (...) Ai eu penso como é que eu vou me sentir assim, mas eu acho o título válido pra um profissional que está se doando, se entregando”.

Este momento tão difícil pra humanidade mostrou tanto outros heróis que estiveram presentes no dia-a-dia de quem estava em casa: entregadores, trabalhadores de supermercado, pesquisadores, o pai ou mãe de família que está lutando pra colocar o alimento na mesa. É importante ter empatia e agradecer cada pessoa que se dedicou para diminuir o impacto da pandemia do coronavírus.

De todos nós do Portal Meon nosso muito obrigado!

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