AIDS: a história de Pedro Malheiros, um guerreiro de Taubaté
No Dia Mundial Contra a AIDS, taubateano conta como é viver com HIV


Pedro Malheiros
Arquivo Pessoal
No Dia Mundial Contra a AIDS, que é lembrado nesta segunda-feira (1) em todo o mundo, o Meon traz a história de um taubateano que convive com o vírus HIV e que superou o medo e o preconceito, para lutar pelo sonho de erradicar a doença.
Era 1985. O assistente social Pedro Malheiros, tinha 38 anos e foi internado com meningite meningocócica em Taubaté. Era um quadro complicado, que ficou ainda mais difícil quando o médico descobriu que aquele paciente tinha outro grande problema, era soropositivo, portador do vírus HIV.
O primeiro que soube foi o pai de Malheiros. A meningite lhe causou nove meses de internação. “Perdi minha identidade, minha memória, não sabia mais o que estava acontecendo. Foi quando meu pai me disse que Deus ia fazer um milagre e fez. Recuperei a memória e foi quando descobri pela minha família que estava com AIDS”, conta.
Hoje aos 67 anos, quem vê Malheiros trabalhando, conversando e levando uma vida normal, como ele mesmo diz, não imagina por tudo que passou. Soropositivo há quase 30 anos, o assistente social fez da doença uma causa social e luta pelos direitos das vítimas do vírus.
“Ter AIDS na década de 80 era ser desprezado, perseguido e tratado como monstro. Éramos vítimas de todo tipo de preconceito. As pessoas tinham que se isolar e neste isolamento acabavam morrendo. Ainda não existia o coquetel, era tudo assustador”, relata.
Malheiros conta que certa vez foi internado por problemas no coração e colocado num quarto isolado. “Todo mundo que me visitava ou cuidava de mim tinha que usar uma roupa semelhante a essa que você vê hoje, as pessoas usando para os casos de ebola. Era muita ignorância, nem os médicos tinham noção do que era essa doença. Eu, contudo, nunca me isolei. Com o apoio da minha família fui em frente”.
Luta
Foi nos fundos do Hospital Regional de Taubaté que o assistente social, ainda em tratamento, reuniu outros pacientes portadores de HIV para conversar, tirar dúvidas, conquistar novos direitos e aprender a conviver com a doença.
“A gente queria saber o que estava acontecendo com a gente. Não podíamos falar disso com ninguém. Para você ter uma ideia, nos fundos do HR ia até repórter para nos fotografar, para saber quem eram os ‘aidéticos’ da cidade. Era muita perseguição e estávamos muito expostos”, relembra.
Dez anos depois que Malheiros contraiu a AIDS, em 1995, surgiu o coquetel de medicamentos que prometia aumentar a sobrevida dos pacientes. “São muito fortes, com efeitos colaterais terríveis. Fiz duas pontes de safena por causa destes remédios, mas depois você acostuma. Eles realmente mudaram as coisas para nós”.
Hoje o assistente social, que foi o primeiro da RMVale a admitir que era um soropositivo na TV e ir até a mídia regional para desmistificar a doença, continua na luta. Malheiros faz parte da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS.
“Enfrentamos agora outro problema. Os pacientes voltaram a se isolar e não do mundo, mas das redes de apoio. Eles precisam se organizar, se reunir, sentir que têm quem lute por eles. Outra coisa que me preocupa são os homossexuais, que precisam de mais atenção do poder público. Em Taubaté, por exemplo, de 111 pessoas que contraíram a doença em 2014, 77 são homossexuais. Precisamos ir até eles e mostrar que é uma doença que pode ser evitada”, revela.
Esperança
Depois de conviver por 30 anos com o HIV, Malheiros vive uma nova fase. “Quando fiquei doente, achei que iria morrer em cinco anos. Mas passaram cinco e mais cinco e sempre achando que o próximo a morrer seria eu. Hoje, tenho certeza que de AIDS não morro mais”, diz. Segundo o assistente social, em seus últimos três exames, a carga viral havia diminuído tanto, que, apesar de ainda existir, os exames não podem mais identificar.
Dia Mundial Contra a AIDS
Diversas cidades da RMVale preparam atividades para marcar este Dia Mundial de luta contra a AIDS, como Aparecida, Guaratinguetá e São José dos Campos, que também lançam suas campanhas de prevenção nesta segunda-feira (1). Saiba como participar:
Aparecida
Campanha Fique Sabendo – Tire o peso da dúvida
O que: teste gratuito de HIV
Quando: de 1 a 5 de dezembro – Das 7h às 19h
Onde: todas as unidades de saúde
Guaratinguetá
O que: teste gratuito de HIV
Quando: de 1 a 5 de dezembro – das 8h às 16h
Onde: todas as unidades de saúde
São José dos Campos
O que: teste gratuito de HIV
Quando: de 1 a 5 de dezembro – das 8h às 17h30
Onde: Coas/CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento)
rua Amim Assad 200, Jardim São Dimas
Informações: (12) 3924-8508
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