Antes de morrer, PM relatou medo de ser morta pelo tenente-coronel

Mensagens revelam ciúmes extremos, ameaças e agressões atribuídas a tenente-coronel

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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A morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada em seu apartamento no bairro do Brás, na região central de São Paulo, é investigada como possível feminicídio. Relatórios da apuração indicam que a policial vivia um relacionamento conturbado com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, e chegou a alertar pessoas próximas sobre o risco que corria.

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De acordo com documentos, Gisele relatou em mensagens episódios de ciúmes extremos por parte do companheiro. Em um dos trechos, afirmou que ele “ficava cego” durante crises de ciúmes e chegou a dizer: “qualquer hora me mata”.

Relatos de medo e violência

Conversas trocadas com amigas e colegas revelam que a policial temia pela própria vida. Em um dos relatos, ela afirmou que a situação poderia chegar a um ponto sem volta: “ou ele me mata ou eu mato ele para me proteger”.

Segundo a investigação, Gisele também denunciou agressões físicas. Em uma das mensagens, afirmou que foi atingida no rosto durante uma discussão. Testemunhas relataram ainda episódios de intimidação dentro do ambiente de trabalho, onde o oficial teria utilizado sua posição hierárquica para monitorá-la.

Um depoimento aponta que o tenente-coronel chegou a encurralar a policial em um corredor e colocar as mãos em seu pescoço durante uma briga.

Impacto na família

O ambiente de tensão também teria afetado a filha de 7 anos da vítima. Segundo relatos, a criança demonstrava medo do padrasto, além de apresentar sinais de abalo emocional. Na véspera da morte, ela teria pedido aos avós para não voltar ao apartamento, afirmando não suportar mais as discussões.

Dias antes do ocorrido, Gisele chegou a ligar para os pais em desespero, pedindo ajuda e dizendo que não aguentava mais a pressão psicológica. Mesmo assim, tentava dar andamento à separação, o que, segundo os autos, gerava reações intensas do companheiro.

Versão do suspeito

O tenente-coronel nega as acusações e afirma que a morte foi resultado de um ato da própria vítima, após uma discussão sobre o fim do relacionamento. Segundo ele, ouviu um disparo enquanto estava no banheiro e encontrou a esposa já caída.

A versão, no entanto, é contestada por investigadores, que apontam inconsistências no relato, além de divergências com laudos periciais e depoimentos colhidos ao longo do inquérito.

Investigação em andamento

O Ministério Público aponta indícios de feminicídio e suspeita de tentativa de simulação de suicídio. O caso segue sob investigação, enquanto familiares da vítima classificam a situação como uma “tragédia anunciada”, diante dos sinais prévios de violência e ameaças relatados pela policial.

NOTA DA DEFESA NA ÍNTEGRA

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizu Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.”

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