Caso Gisele: PM baleada ainda tinha pulso ao ser socorrida, diz médico

Caso é investigado como feminicídio

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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O médico responsável pelo atendimento da soldado Gisele Alves Santana afirmou que ela ainda apresentava pulso no momento em que foi socorrida, após ser atingida por um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. A informação consta em imagens registradas por câmera corporal de um policial militar.

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Segundo o socorrista, a vítima apresentava quadro grave, com pupila dilatada e sinais compatíveis com trauma severo, possivelmente indicando morte encefálica. Ainda assim, havia sinais vitais no momento do resgate.

Intervalo até o socorro é investigado

De acordo com o inquérito policial, o disparo que atingiu a policial pode ter ocorrido por volta das 7h28, conforme relato de uma vizinha. No entanto, o resgate só foi acionado às 7h57, quando a ocorrência foi comunicada via COPOM da Polícia Militar.

O intervalo de cerca de 30 minutos entre o disparo e o acionamento do socorro é um dos pontos centrais da investigação e contribuiu para que o caso passasse a ser tratado como feminicídio pela Justiça de São Paulo.

A morte de Gisele foi confirmada por volta das 12h no Hospital das Clínicas, em decorrência de traumatismo cranioencefálico grave provocado por disparo de arma de fogo.

Perícia aponta possível luta corporal

Laudos da perícia indicam que a policial pode ter sido surpreendida dentro da residência e atacada pelas costas. Segundo os peritos, o suspeito — um tenente-coronel — teria imobilizado a vítima antes do disparo.

O exame necroscópico identificou lesões no rosto e no pescoço, compatíveis com pressão e tentativa de imobilização, além de marcas superficiais que indicam possível luta corporal. A perícia também concluiu que o disparo foi feito a curta distância, com a arma muito próxima da cabeça da vítima.

Para a Justiça Militar de São Paulo, há indícios de que o ataque tenha ocorrido de forma repentina, sem possibilidade de defesa. A investigação também apura a hipótese de alteração da cena do crime após o ocorrido.

O caso segue em investigação pelas autoridades, que analisam depoimentos, laudos periciais e outros elementos para esclarecer as circunstâncias da morte.

NOTA DA DEFESA DO TENENTE-CORONEL

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizou reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.”

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