Aprendizado, autonomia e qualidade de vida
Imagine uma pessoa que, aos 70 anos, decide voltar à escola, aprender a utilizar um celular ou estudar um assunto que sempre despertou sua curiosidade. Para alguns, pode parecer tarde. Para ela,…

Saiu na Metrópole | Coluna de Luiz Eduardo dos Santos publicada na edição 139 da Revista Metrópole (outubro de 2026).
Imagine uma pessoa que, aos 70 anos, decide voltar à escola, aprender a utilizar um celular ou estudar um assunto que sempre despertou sua curiosidade. Para alguns, pode parecer tarde. Para ela, pode ser o início de uma nova etapa, repleta de descobertas, amizades e possibilidades. Afinal, por que associamos a educação principalmente à juventude, se continuamos aprendendo durante toda a vida?
Em um Brasil que envelhece rapidamente, a educação é uma importante aliada do envelhecimento saudável. Além de ampliar conhecimentos, contribui para o autocuidado, a autonomia, a participação social e a compreensão das transformações que acompanham a idade.
O conhecimento favorece decisões mais conscientes sobre alimentação, atividade física, vacinação, medicamentos e prevenção de quedas. Também ajuda a reconhecer sinais de alerta, buscar atendimento e conhecer os próprios direitos.
Viver mais é uma conquista, mas é fundamental que os anos adicionais sejam acompanhados de saúde, autonomia e oportunidades. Cursos, grupos de leitura, atividades culturais e oficinas comunitárias favorecem a convivência, fortalecem a autoestima e podem reduzir o isolamento social. A inclusão digital permite conversar com familiares, acessar serviços e descobrir novos interesses.
No Brasil, iniciativas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), as universidades abertas à terceira idade, as bibliotecas e os cursos de inclusão digital oferecem oportunidades de aprendizagem. É necessário ampliar essas ações, com acessibilidade, horários flexíveis e metodologias adequadas. No médio prazo, municípios podem fortalecer a EJA e promover parcerias entre escolas, universidades, unidades de saúde e assistência social.
No longo prazo, o país precisa consolidar uma política de educação ao longo da vida, com financiamento contínuo, formação de educadores e participação das pessoas idosas no planejamento. Afinal, o direito de aprender não deveria ter idade para terminar.
Luiz Eduardo dos Santos — Gerontólogo, mestre pela UFSCar e coordenador do PAIDESPI. @luedusann | [email protected]

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