Biógrafo de São José revela detalhes de Anchieta em livro

Recentemente o Papa Francisco canonizou Padre José de Anchieta, causando grande alegria entre o clero brasileiro. Contudo, o missionário Jesuíta mais famoso da história do país, declarado pela Igreja como o Apóstolo do Brasil, ainda tem diversas facetas desconhecidas tanto nos livros de história, quanto entre os seus fiéis pelo país.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Haroldo: “Padre Anchieta é uma das figuras mais importantes da nossa história”

Flávio Pereira/ Meon

Recentemente o Papa Francisco canonizou Padre José de Anchieta, causando grande alegria entre o clero brasileiro. Contudo, o missionário Jesuíta mais famoso da história do país, declarado pela Igreja como o Apóstolo do Brasil, ainda tem diversas facetas desconhecidas tanto nos livros de história, quanto entre os seus fiéis pelo país.

Quem garante é o escritor Haroldo Barbosa Filho, morador de São José dos Campos, que há muitos anos estuda a vida de Anchieta e é autor de uma das biografias do novo santo. “Padre Anchieta é sem sombra de dúvidas, uma das figuras mais importantes da nossa história. Se temos uma cidade chamada São Paulo e Rio de Janeiro, devemos a ele. Se temos rodovias importantes como Tamoios e Anchieta, devemos a ele, e digo mais, se temos escolas, devemos a ele. Ele fez muito”, ressalta o escritor.

Em seu livro “Um Anjo no Paraíso”, lançado em 2009 pela Editora Loyola, Barbosa Filho conta de forma romanceada, as aventuras do jovem Anchieta, um noviço jesuíta em terras inexploradas, que sua capacidade de multiplicar conhecimento e espírito alegre ajudou a resolver conflitos. Um destes episódios se dá na cidade de Ubatuba, no Litoral Norte, onde uma guerra entre índios, portugueses e franceses, foi evitada por intermédio de São José de Anchieta.

Em entrevista exclusiva ao Meon, o biógrafo conta detalhes da passagem de Anchieta no Vale do Paraíba e fala sobre a importância do santo para a história e a religião no Brasil.

Quando você decidiu biografar o São José de Anchieta?
Meu sonho sempre foi ser romancista e escrever livros históricos. Para isso eu comecei fazer pesquisas no início da história do Brasil. Nesse processo descobri José de Anchieta, resolvi estudar a sua história e me encantei. Ele tem feitos notáveis.  Quando eu li em uma das cartas que ele escreveu para seus superiores na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde viviam os jesuítas, que ele viveria e morreria pelos índios, aí tive certeza que queria biografá-lo.

José de Anchieta passou pelo Vale do Paraíba?
Meu trabalho nesse livro é baseado em passagens que realmente estão documentadas e são oficiais. E não encontrei até agora um documento que registre que José de Anchieta tenha passado por São José dos Campos ou pelo Vale do Paraíba. Apenas no Litoral Norte, na cidade de Ubatuba, onde inclusive ele escreveu um dos seus poemas mais famosos, na areia. E ali voltou ainda muitas vezes depois para educar os índios. Agora, mesmo sem registros oficiais, eu acredito que tenha passado muitas e muitas vezes por São José, Taubaté e Jacareí, porque ia ao litoral e voltava para a vila onde é hoje São Paulo, a pé. E também ia de São Paulo ao Rio de Janeiro. E com isso, devia dormir aqui na região.

Você acha que existe resistência entre os brasileiros à figura de Anchieta?
Os comentários contra o padre aparecem no século 18, quando Marquês de Pombal queria acabar com a ordem dos jesuítas no Brasil e então inventou uma série de calúnias contra Anchieta. Acontece que anos depois, os próprios Portugueses descobriram e destronaram o Marquês. Anchieta nunca teve ou se interessou por ouro. Não teve registro de nenhuma propriedade ou escravo em seu nome. Eu me basiei em documentos que garantem a santidade de Anchieta. Ele era tão amado pelos índios, que quando morreu foi levado nos ombros por diversos quilômetros entre cidades do Espírito Santo.

Como você define São José de Anchieta?
Eu acho que o nosso novo santo poderia ser aclamado como padroeiro dos educadores. Ele tinha um modo impressionante, sempre alegre, mesmo doente. Tinha uma forma especial de lidar e educar os índios, de modo que era querido por eles. Foi ele que inventou uma nova forma de educar e ensinou muitas pessoas.

Pode nos contar alguma história curiosa de seu livro?
Um conto curioso é sobre as pessoas que falam que Anchieta era ambicioso, isso não pode ser. Certa vez, outro padre jesuíta famoso da época, chamado Carapeto, disse a Anchieta que não entendia porque tanta gente vinha para o Brasil com a ambição de procurar ouro e pedras preciosas. E padre o Anchieta respondeu, “eu também não entendo. Acho ferro tão mais necessário. Dá para fazer panela. E com ouro você faz o que? Eu não tenho nada de ouro”. Agora fazendo um paralelo, quatrocentos anos depois, o papa Francisco, que é Jesuíta, fez a mesma coisa quando assumiu o papado. Ele decidiu usar uma cruz de ferro e diz que não gostava nem de usar o anel papal porque é de ouro. Para você ver como pensam os jesuítas. E eu afirmo, Anchieta era sobretudo um homem puro e inegavelmente santo.

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