Após descoberta de genocídio de indígenas, mais de 40 igrejas são vandalizadas no Canadá
Milhares de sepulturas sem identificação foram descobertas em antigos internatos onde mais de 150 mil crianças indígenas se hospedaram

Nos últimos dois meses, cerca de 1.315 túmulos sem identificação foram encontrados em antigos internatos para crianças indígenas no Canadá, administrados pela Igreja Católica e o Governo Federal.
A primeira descoberta de sepulturas sem identificação foi realizada no antigo internato de Kamloops, no dia 27 de maio. Em seguida, vieram à tona os casos dos internatos de Marieval, St. Eugene’s Mission e Kuper Island.
Esses centros faziam parte de uma rede de internatos no país, onde mais de 150 mil crianças indígenas foram hospedadas. O Governo federal financiou essas instituições, cuja administração estava a cargo de grupos cristãos.
De acordo com informações do diário El País, após a chocante descoberta, pelo menos 48 igrejas cristãs foram vandalizadas e 21 delas foram consumidas pelo fogo nos últimos dois meses.
Além dos incêndios, os principais atos de vandalismo têm sido ataques com tinta vermelha às fachadas de templos e instituições religiosas.
O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, afirmou que essas ações são “inaceitáveis e incorretas”. Trudeau disse compreender a ira de muitas pessoas, mas destacou que “Este não é o caminho a seguir para obter justiça. Devemos trabalhar juntos para corrigir os erros do passado”.
A Comissão da Verdade e Reconciliação, criada para investigar este caso, apontou em 2019 que pelo menos 4.134 menores indígenas morreram nestes centros, onde conviviam com má alimentação, aglomeração e falta de aquecimento no local.
Ainda de acordo com a comissão, em relatório publicado em 2015, castigos físicos, violência sexual, negligência e racismo eram habituais nos internatos.
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