Dólar dispara e atinge R$ 6,18; mercado reage à ata do Copom

Moeda norte-americana após intervenção do Banco Central

Escrito por: Da redação2 min de leitura
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O dólar voltou a disparar nesta terça-feira (17), atingindo R$ 6,18 na máxima do dia, apesar de um novo leilão de intervenção do Banco Central (BC). A valorização da moeda ocorre em meio às tensões do mercado com o pacote de corte de gastos do governo, que enfrenta avaliação no Congresso, e à piora das expectativas para a economia brasileira nos próximos anos.

Na segunda-feira (16), o dólar fechou em um recorde histórico, cotado a R$ 6,0942. Nesta terça, mesmo após a tentativa do BC de conter a alta por volta das 9h40, a moeda retomou o movimento de valorização.

Impacto do pacote econômico e percepções do mercado

O governo federal projeta economizar R$ 70 bilhões em dois anos com o pacote de cortes de gastos e um total de R$ 375 bilhões até 2030. O objetivo é frear o aumento do déficit público, mas o mercado tem demonstrado ceticismo quanto à viabilidade e aos efeitos das medidas.

Para garantir a aprovação no Congresso antes do recesso parlamentar, o governo intensificou negociações e liberou emendas parlamentares, somando mais de R$ 8,4 bilhões até agora. Apesar disso, investidores continuam preocupados com o impacto fiscal no longo prazo.

Decisões do Copom e disparada do dólar

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça, também influenciou o mercado. O BC justificou o recente aumento da Selic, que subiu 1 ponto percentual, de 11,25% para 12,25% ao ano, como medida para conter os impactos da valorização do dólar e a deterioração da percepção de risco fiscal.

O Copom indicou ainda que novas altas de juros podem ocorrer nas próximas reuniões, previstas para o início de 2025, podendo levar a Selic ao patamar de 14,25% ao ano.

Cenário econômico

A alta do dólar, combinada com os juros elevados, deve impactar diretamente os preços de produtos importados e a inflação. Além disso, a desvalorização do real aumenta a pressão sobre empresas endividadas em moeda estrangeira e dificulta a recuperação econômica em um cenário já marcado pela desaceleração do crescimento.

O Banco Central deve continuar acompanhando os desdobramentos econômicos e intervindo para tentar estabilizar o câmbio, enquanto o governo busca garantir a aprovação de medidas fiscais no Congresso para restaurar a confiança do mercado.

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