Estimativas para o PIB foram de alta de 2,5% a queda de até 6,6% ao longo de 2020
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em 2020, as incertezas econômicas trazidas pela pandemia provocaram revisões bruscas nas projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. No início do ano passado, os economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus projetavam crescimento de 2,5% para 2020. As projeções começaram a…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em 2020, as incertezas econômicas trazidas pela pandemia provocaram revisões bruscas nas projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
No início do ano passado, os economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus projetavam crescimento de 2,5% para 2020. As projeções começaram a ser revistas para menos de 2% em março, logo após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar oficialmente que o mundo estava vivendo uma pandemia, no dia 11 daquele mês.
As revisões se acentuaram a partir da decretação de restrições de circulação na segunda quinzena de março e terminaram o mês em queda de 0,9%.
Na época, o ministro Paulo Guedes (Economia) chegou a dizer que o mundo havia sido atingido por um meteoro, que eliminou qualquer chance de recuperação do crescimento brasileiro. A indústria automotiva brasileira praticamente parou. A produção de veículos voltou aos níveis da década de 1950.
Em maio, os economistas consultados pelo Focus projetavam queda de 4,1%, resultado que acabou sendo confirmado quase um ano depois. As revisões para baixo, no entanto, continuaram.
Naquele mês, o Goldman Sachs projetava contração de 7,4% e a estimativa do BTG era próxima, de 7%, e a do Santander, de 6,4%.
No final de junho, foi registrada a previsão mais pessimista do Focus (-6,6%). Na época, várias medidas de estímulo já estavam em vigor, mas seus resultados ainda não estavam claros. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou naquele mês que o PIB do primeiro trimestre já havia sido negativo.
Instituições estrangeiras esperavam uma queda ainda maior. O Banco Mundial chegou a prever retração de 8%, a maior em 120 anos (na realidade, foi a maior em 30 anos) e apontava, entre os problemas, uma redução nos preços de commodities produzidas pelo país. Elas, porém, subiram, na esteira da recuperação mundial movida a muitos estímulos econômicos.
A OCDE, organização que reúne as economias mais desenvolvidas, chegou a prever queda de 7,4%. O FMI (Fundo Monetário Internacional), de 9,1%.
“Se a atividade econômica ficasse naquele nível de março a abril, a queda do PIB seria de 10% a 11%”, diz Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco.
A virada nas expectativas se daria no começo de julho, quando começam a ser divulgados dados do mês anterior mostrando os primeiros efeitos da injeção do auxílio emergencial na economia. Além disso, o número de casos da doença diminuía e algumas atividades começavam a ser retomadas.
Outros programas de estímulo fiscal e de crédito, em todas as esferas de governo, também mostravam resultados.
Naquele período, outros países também já começavam a retomar suas atividades e a adotar estímulos mais agressivos, com destaque para a China, maior parceiro comercial do Brasil, que já se encontrava em plena recuperação após o tombo do início de ano.
Nos dois meses seguintes, as projeções já se aproximavam de queda de 5%. No último trimestre do ano, já estavam abaixo desse patamar. Após a divulgação de que o PIB voltou a crescer no terceiro trimestre, realizada em dezembro, voltaram a melhorar e se aproximaram do resultado divulgado nesta quarta-feira (3).
Na última pesquisa de 2020, os economistas previam retração de 4,4%. Na véspera da divulgação do PIB, em março deste ano, estavam em 4,2%, praticamente o mesmo resultado anunciado.
Dentre os grandes bancos, o Itaú Unibanco foi o único a acertar em cheio a retração que houve no ano passado: 4,1%.
O segredo para o acerto do Itaú está no IDAT (Itaú Daily Activity Tracker), ferramenta que a instituição desenvolveu para acompanhar a atividade econômica diariamente.
“Tínhamos uma intuição de que a economia iria sofrer muito durante dois meses, que foi o que aconteceu em março e abril, e depois ela ia começar a se recuperar, e o IDAT ajudou a confirmar o que a gente já achava”, afirma Barbosa.
O indicador combina dados públicos, como o Índice de Isolamento Social, desenvolvido pela Inloco, e o consumo de energia elétrica, com dados do banco, como o consumo de bens e serviço via cartões de crédito e débito vinculados ao Itaú.
“Vimos que o consumo de energia teve o piso em abril e, em maio, começou a se recuperar”, diz o economista.
Em novembro, o banco mudou a projeção de queda de 4,5%, a pior projeção do Itaú para 2020, para 4,1%, o que Barbosa chama de ajuste fino.
“Outros economistas achavam que estávamos loucos e depois vieram os parabéns”.
A instituição não vê sinais de queda na atividade neste ano e projeta crescimento de 0,3% no primeiro trimestre e de 4% no acumulado de 2021, com a Selic 5% ao fim deste ano.
Apesar da alta na taxa básica de juros, hoje a 2% ao ano, Barbosa vê a taxa média ao longo do ano como estimulativa. O principal fator para o crescimento, no entanto, será a vacinação. “É o que vai fazer o setor de serviços voltar”.
A projeção do BTG para 2021, por sua vez, é mais comedida: um crescimento de 3,2%. Em janeiro e fevereiro, porém, o banco esperava alta de 3,5% no PIB.
“A surpresa positiva nos últimos trimestres de 2020 deixou um forte carrego estatístico para 2021 (3,6%). No entanto, o agravamento da pandemia no Brasil, associado a fundamentos fracos e piora da dinâmica fiscal, nos deixa mais cautelosos quanto ao crescimento em 2021”, afirma o banco em relatório.
O banco ficou próximo de acertar o PIB de 2020, com uma projeção de queda de 4,0%.
Posts Relacionados

Mercado ilegal de bets pode dobrar após proibição no Brasil, estima setor

Trump diz que Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA “quanto tempo quiser”, mas descarta encontro

Após derrota de Flávio, revisão criminal no STF vira principal aposta da defesa de Bolsonaro
