Mauro Cid pode perder delação e enfrentar prisão por obstrução de justiça
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro será ouvido pelo STF

O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, pode sofrer sérias repercussões jurídicas após sua audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para quinta-feira (21). Cid será interrogado sobre inconsistências entre o conteúdo de sua delação premiada e as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), que investigam uma possível tentativa de golpe.
O ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas investigações na Corte, presidirá o depoimento de Cid, que ocorrerá em um momento crítico para o andamento do processo. Moraes já solicitou uma avaliação detalhada do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para esclarecer possíveis falhas ou omissões no acordo de colaboração firmado entre Cid e a PF.
A delação de Cid gerou controvérsia desde sua formalização. Durante a gestão do ex-procurador-geral da República, Augusto Aras, a PGR se opôs à homologação do acordo, alegando que a Polícia Federal não teria autoridade para firmá-lo sem a anuência do Ministério Público. No entanto, o STF tem jurisprudência que permite a formalização de acordos de colaboração diretamente com a PF, o que abre brechas para a manutenção do acordo, mesmo diante de objeções do MP.
Apesar disso, especialistas indicam que a situação de Cid é delicada. Se as contradições em seu depoimento forem consideradas significativas, ele poderá perder os benefícios de sua delação e até ser acusado de obstrução de justiça. Caso isso aconteça, ele pode ser preso novamente, o que torna o depoimento desta quinta-feira crucial para seu futuro legal e para o desfecho das investigações em andamento.
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