Conta de água em SP: veja o que é fato ou boato

Tarifa cobrada pela Sabesp será 15% menor do que se empresa ainda fosse estatal

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
agua-economia-sabesp-595670

A desestatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, tem sido alvo de debates e informações incorretas nas redes sociais. Uma das principais afirmações falsas é a de que a tarifa de água teria aumentado logo após a privatização. Dados oficiais da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e informações da própria concessionária mostram um cenário oposto: houve redução de tarifas, ampliação de benefícios sociais e aumento expressivo de investimentos.

+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp

Tarifas ficaram mais baratas após privatização

Logo após a desestatização, as tarifas social e vulnerável — destinadas à população de baixa renda — tiveram redução de 10%. As categorias residencial comum, comercial e industrial também registraram queda, entre 0,5% e 1%.

Com a nova reposição inflacionária aprovada pela Arsesp para vigorar a partir de 2026, o valor residencial será de R$ 6,40/m³. Caso a Sabesp tivesse permanecido estatal, a tarifa projetada seria de R$ 7,36/m³ — uma diferença de 15% a favor da empresa privatizada.

A reposição aplicada para 2026 corresponde exclusivamente à inflação medida pelo IPCA entre julho de 2024 e outubro de 2025, acumulando 6,11%. Não há aumento real, apenas recomposição inflacionária.

Modelo regulatório mantém tarifa abaixo do valor da antiga estatal

O novo contrato firmado após a privatização estruturou mecanismos de controle tarifário, garantindo que o valor cobrado seja sempre menor que o da tarifa de referência estatal. Entre esses mecanismos estão:

controle rígido da eficiência dos investimentos;

uso do Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp), abastecido com recursos da privatização e dividendos da Sabesp;

gatilhos regulatórios que impedem repasses tarifários acima do necessário.

Na revisão atual, o impacto do Fausp foi praticamente nulo — apenas 0,026% — demonstrando que o modelo não depende do fundo de forma recorrente.

Tarifa da Sabesp foi a única do Brasil a cair em 2024

Segundo levantamento da Global Water Intelligence (GWI), a Sabesp foi a única empresa de saneamento do país a registrar queda tarifária em 2024, enquanto cidades de outras regiões viram aumentos entre 4% e 10%. O recuo foi atribuído à mudança de modelo após a desestatização.

Investimentos cresceram 151% em um ano

A privatização também acelerou investimentos. Entre janeiro e setembro de 2025, a Sabesp aplicou R$ 10,4 bilhões — aumento de 151% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desde julho de 2024, o total investido chega a cerca de R$ 15 bilhões.

A expansão já se reflete em números expressivos:

616 mil novos domicílios passaram a receber água potável;

733,8 mil foram conectados à rede de esgoto;

948,9 mil unidades foram atendidas com tratamento de esgoto.

Tarifa social ampliada e maior inclusão

O número de famílias beneficiadas pelas tarifas social e vulnerável cresceu 90% no primeiro ano após a privatização, saltando de 991 mil para 1,8 milhão de domicílios atendidos. Os descontos podem chegar a 78% do valor da tarifa convencional.

Universalização antecipada para 2029

Com a desestatização, está garantido um pacote de investimentos de R$ 70 bilhões para antecipar a universalização do saneamento para 2029 — quatro anos antes do prazo previsto no Novo Marco Legal. Esse avanço evitará o descarte inadequado de 3,8 bilhões de litros de esgoto, o equivalente a 1,5 milhão de piscinas olímpicas.

Tags:destaqueEstado de São PaulorotativosabespPublicado em: