Criança na rede: é saudável as crianças usarem muito a internet?
Se for bem orientado, o uso do computador e de dispositivos móveis traz muitos benefícios para a aprendizagem das crianças, mas desde que os pais também estimulem o uso didático.


Mesmo em meio a correria, a criança precisa ter momentos de tranquilidade
Reprodução
A tecnologia nos permite visitar o Museu do Louvre, na França, e outros lugares distantes, propicia enorme quantidade de informações de maneira ágil e de-sen-volve a coordenação motora. Se for bem orientado, o uso do computador e de dispositivos móveis traz muitos benefícios para a aprendizagem das crianças, mas desde que os pais também estimulem o uso didático. No entanto, com o contato cada vez mais precoce com a tecnologia, os pequenos têm de estabelecer relações entre o real, o irreal e o virtual. E, muitas vezes, eles se confundem. Por isso, os pais precisam vigiar o conteúdo e ajudar a tornar essa relação menos obscura.
Quanto tempo uma criança pode ficar no computador?
Não existe tempo recomendado, é questão de orientação, porque hoje as crianças usam muito o equi-pamento para estudar. Estipular horas gera a vontade de driblar a regra. Existe o tempo de brincar, o de estudar e o de escolher o que fazer. Nas horas vagas e depois das obrigações, a própria criança pode estabelecer suas prioridades.
Como dar limites, tanto de tempo quanto de conteúdo?
Só se estabelecem limites por meio do acompa-nhamento. Os pais precisam saber o que a crian-ça faz no computador, no celular e o motivo de disponibilizarem esse tempo. Até os 12, 13 anos, a criança tem duas “funções” principais, a de estudar e a de brincar. O brincar deve envolver contato e brincadeiras físicas. A partir disso, os pais conseguem avaliar não só o tempo que a criança passa no computador, mas a qualidade do tempo que passa fora dele. Com o contato cada vez mais precoce com a tecnologia, as crianças têm de estabelecer o que é real, irreal e virtual. E, muitas ve-zes, elas se confundem com esses conceitos. É por isso que os pais precisam vigiar o conteúdo.
Quais as orientações em relação à exposição na rede?
Com a facilidade de ca-dastramento em redes sociais e em salas de bate-papo, os pais podem perder o controle de quem é o interlocutor. Saber com quem o filho fala é fundamental, mas não se controla isso facilmente. Por isso, as orien-tações são as mesmas que regem qualquer relação: o cuidado e o respeito. O “outro” é virtual, mas também real.
Como os pais podem monitorar e fisca-lizar o conteúdo?
Os pais devem ter as senhas de crianças me-nores, explicando que monitorar sozinho um site é uma questão de responsabilidade e uma conquista que vem com a idade. Não só como uma questão de autoridade, mas como uma ferramenta para a educação e o esclarecimento de certas fronteiras, muitas vezes obscuras até para os adultos.
Onde deixar o equipamento?
O ideal é que o computador fique sempre em um local comum, como a sala. Muitos acham feio, mas é uma medida necessária para que os pais percebam o que os filhos estão fazendo.
Quando dar um celular?
A partir dos 6 anos, quando a criança começa a sair com parentes, amiguinhos e a conquistar um pouco da sua independência em relação aos pais. Os modelos devem ser os menos tecnológicos: ter os serviços de um telefone, isto é, fazer e receber ligações e mandar SMS. E serem pré-pagos para controlar, observar o uso e educar a criança financeiramente. Os smartphones foram feitos para adultos –quando os filhos quiserem jogar, os pais podem empres-tar os seus. Até porque os pais devem refletir sobre a responsabilidade de entregar um celular desse tipo a uma criança.
Como os pais podem educar as crianças para uma melhor etiqueta digital se muitas vezes eles pró-prios não respeitam certas condutas, como usar dispositivos móveis ao volante, no jantar ou no cinema?
Os pais se esquecem de que educação é feita de exemplos. Não só pelo modelo, mas pelo reforço do modelo. Como a “dependência” dos meios eletrôni-cos é recente, os pais também precisam de um norte. Com o deslumbramento em relação à tecnologia, perdeu-se também a noção da funciona-lidade e de antigas regras. Criou-se uma geração de compulsivos, na qual os valores e os deveres são desrespeitados. Nesse caso, é preciso criar normas para o uso da tecnologia a partir da necessidade. Isto é, educar primeiramente os pais para que eles possam ensinar os filhos: ”Será que eu preciso? É urgente? Para que serve isso? Estou fazendo o uso correto?”. Quando entregamos um celular para um filho, devemos explicar para que esse aparelho serve, quando e como usá-lo –principalmente na infância e adolescência, quando os valores ainda se misturam.
Como o abuso dos dispositivos móveis pode atrapalhar a vida familiar?
Como tudo, a tecnologia precisa ser regida por normas. Qualquer plataforma – celular, computador, tablet – necessita de uma linha de ação e valores para que seu uso respeite valores e deveres do meio social. Com uma geração compulsiva, que almeja o modelo mais recente para estar sempre disponível, estabeleceu-se a ideia de que “tudo é pra já”. Ao aplicar esse pensamento na educação das crian-ças, observa-se uma “algema virtual”, porque os pais dão esses equipamentos às crianças também como uma forma de compensar o tempo perdido juntos, por medo de elas se sentirem inferiores em relação aos colegas. Com o passar do tempo, esses objetos se tornam algemas, especialmente quando as crianças não atendem e os pais dão bronca. É também uma forma de controle.
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