Curadora de festival é reticente com as adaptações

Acontecendo mais cedo por causa da Copa do Mundo, o Festival da Mantiqueira terá a curadoria da jornalista Josélia Aguiar. Baiana e apaixonada pela literatura, Josélia trabalhou em publicações e editorias especializadas no tema, além de ser correspondente internacional em Londres.

Escrito por: Isabella Damião4 min de leitura
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A jornalista Josélia Aguiar

Divulgação

Acontecendo mais cedo por causa da Copa do Mundo, o Festival da Mantiqueira vai ter a curadoria da jornalista Josélia Aguiar. Baiana e apaixonada pela literatura, Josélia trabalhou em publicações e editorias especializadas no tema, além de ser correspondente internacional em Londres.

Ela também assinou dois blogs de sobre livros na Folha, onde falava sobre obras de ficção, não ficção, autores, casas editoriais, festas literárias, mercado comercial e onde refletia sobre a história e o futuro do livro. Ainda este ano, Josélia lança seu primeiro livro, a biografia do escritor Jorge Amado, pelo selo Três Estrelas, do Grupo Folha.

Como você se tornou jornalista?
Acho que quis ser jornalista desde criança. Jornalismo era oportunidade de escrever e conhecer o mundo. Também adorava ler. Eu ficava no fundo da sala durante as aulas lendo, geralmente durante as aulas de química. Jornalismo foi a oportunidade de juntar a escrita e os livros.

Além de seus trabalhos na Folha, qual é sua experiência profissional?
Na verdade eu trabalhei na Folha em dois períodos diferentes, dei um tempo da Folha e fui para a revista Entre Livros. De 2005 a 2008 trabalhei como editora da revista, que tinha tiragem mensal. A revista teve várias dificuldades de se firmar no mercado, pois era grande, e com conteúdo bem denso, e contava com uma equipe pequena na sua confecção. Isso era uma grande dificuldade.

Como surgiu o convite para se tornar curadora do festival?
O antigo curador, Heitor Ferraz Mello, aceitou um convite para a curadoria de um Museu em São Paulo. A APAA fez o convite para mim pouco tempo depois.

Qual a importância de um festival como da Mantiqueira nos dias de hoje?
São duas coisas: a cidade é muito bonita e pode passar por uma nova experiência. O festival traz uma programação cultural intensa e mais pessoas pra conhecer e frequentar a cidade, movimentando a economia. O festival é uma oportunidade para quem mora fora de grandes centros de se encontrar com autores e trocar ideias. Além de incentivar a leitura, que sempre é uma boa coisa.

Você acredita que a mudança de data vai afetar os preparativos do festival?
O festival é compacto. Não é muito difícil fechar a programação. A mudança de data foi uma coisa boa neste ano, pois havia a possibilidade da cidade de São José dos Campos ser uma das delegações da Copa do Mundo. Se continuássemos com os meses de maio e junho seria muito complicado para administrar a programação.

Como surgiu o convite para escrever a biografia de Jorge Amado?
Em 2011, um dos editores do grupo Três Estrelas da folha estava procurando novos projetos. Me convidaram para escrever a biografia pouco tempo depois da criação do selo. Outra biografia de Jorge Amado foi lançada em 1961. São 50 anos sem registro biográfico do autor. Durante esse tempo, ele ainda estava vivo e fez muitas coisas.

Você já entrevistou Jorge Amado?
Antes de me mudar para São Paulo, em 1994, entrevistei Jorge Amado em sua casa na Bahia. Um dos repórteres não pode fazer a entrevista e me enviaram. Eu trabalhava no Jornal Bahia Hoje. O jornal já não existe mais. No início, Jorge Amado estava muito sério e mau humorado. Foi bem na época que ele não queria mais dar entrevistas.

Após o gravador ser desligado, ele foi super simpático. Quis saber sobre o meu trabalho no jornal e sobre as matérias que eu estava escrevendo. Ele elogiou a parte gráfica do jornal, falou que era bem organizada. Ele saiu por um momento e me deixou sozinha na sala. Sua esposa, Zélia Gattai, apareceu pouco tempo depois e me ofereceu sorvete de manga. Quando voltou ele trazia um livro autografado de presente para mim.

O que você acha das adaptações cinematográficas ou televisivas da obra do autor?
Eu considero meio que um problema, apesar de  trazerem mais reconhecimento para o autor. Geralmente as adaptações têm tons caricatos. Jorge Amado sempre deu permissão, mas nunca fez nenhuma exigência. Os diretores têm total liberdade com a obra. As adaptações dão outras impressões sobre a obra do autor para quem assiste. Elas não abordam a complexidade dos personagens e da história retratada durante o romance. As adaptações de “Gabriela” foram bem feitas. Já as adaptações de “Tieta” não tem a delicadeza no trato com os personagens ou a complexidade da história.

Quando a biografia será lançada?
Ainda não tem uma data certa, mas ela sai ainda esse ano.

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