Editorial: investimento bilionário para o futuro de São José dos Campos

A falta de diálogo, além de todo processo burocrático -que envolve até mudanças de zoneamento- tem sinalizado o descompasso entre o interesse público e a capacidade de expor de forma transparente os prós e contras frente à possível instalação do WTC (World Trade Center), em São José dos Campos. O terreno no Jardim Aquarius, onde […]

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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A falta de diálogo, além de todo processo burocrático -que envolve até mudanças de zoneamento- tem sinalizado o descompasso entre o interesse público e a capacidade de expor de forma transparente os prós e contras frente à possível instalação do WTC (World Trade Center), em São José dos Campos. O terreno no Jardim Aquarius, onde o grupo planeja fundar o WTC, está classificado como ZUC-1 (Zona Urbana Controlada), que permite edificações de até dois pavimentos e atividade comercial de baixo impacto. Para que o megaempreendimento saia do papel, é necessário que os vereadores aprovem a mudança para ZQA (Zona de Qualificação), apresentada pela prefeitura.

Em pouco mais de 45 dias, desde a apresentação do projeto, não houve avanços. A expectativa é que a conversa seja retomada no Legislativo apenas em fevereiro de 2015. Outras quatro cidades brigam pelo WTC com São José dos Campos -Campinas, Curitiba, Florianópolis e Belo Horizonte.

Cabe aos representantes da população no Legislativo e no Executivo que se entendam o mais rápido possível, pensando que um projeto desse porte pode ser fundamental para garantir um futuro econômico e colocar São José dos Campos como maior polo de desenvolvimento comercial do Brasil.

Mas não se trata do WTC, enquanto um grupo interessado em se estabelecer em determinada região e sim do interesse da população de fomentar a economia de forma sustentável. A mudança de zoneamento deve transcorrer de forma planejada, estabelecendo limites e com visão no futuro, independente de determinado projeto. O Poder Público pode e deve encontrar no desenvolvimento riqueza e qualidade de vida para os munícipes. Se o debate parte do interesse privado com relação a determinado projeto, esse não pode se transformar em propulsor ou limitador da discussão que, em se tratando da área mencionada, localizada em zona central e importante dentro do contexto da cidade, mostra-se oportuno e tempestivo.

Na área de 580 mil m², no Jardim Aquarius, o grupo planeja investir R$ 1 bilhão na filial. O World Trade Center Association foi fundado nos Estados Unidos, na década de 60, e hoje já está presente em mais de 100 países com 330 unidades distribuídas nos principais polos econômicos. No Brasil, o WTC foi inaugurado em 1995, em São Paulo.

O objetivo principal do complexo empresarial é fomentar negócios que enriqueçam as economias mundiais envolvidas na rede, onde disponibiliza uma diferenciada inteligência de mercado para empresas estrangeiras que queiram iniciar atividades no mercado brasileiro, assim como empresas brasileiras que queiram se internacionalizar.

No projeto joseense, o megaempreendimento traria centro de convenções, shopping center, hotel e prédios comerciais, que podem gerar até 7 mil empregos.

Os vereadores da cidade já mostraram que só vão se posicionar após maior transparência do Executivo. Cinco audiências públicas foram realizadas com o objetivo de mostrar o projeto para a população, mesmo assim não houve consenso. Mas, em um ano onde a cidade sofreu uma baixa considerável na geração de empregos, os números apresentados pelo WTC não justificam um debate sério e eficaz entre o Executivo e o Legislativo?

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