Enquanto Ainda Há Tempo

O perdão deveria ser um gesto mais simples

Escrito por: Dr. Wilfredo Flinck2 min de leitura
ChatGPT Image 15 de jul. de 2026, 13_04_45

Por que familiares brigam, deixam de se falar e, consequentemente, deixam de celebrar a alegria de pertencer a uma mesma família, a harmonia que os une e o amor que um dia os concebeu?


Pais entristecem. Avós se angustiam. Relações deterioram-se, magoam, ferem e afastam aqueles que antes caminhavam lado a lado.


O perdão deveria ser um gesto mais simples. A compreensão de que tudo passa; de que nada é perfeito; de que todos estamos em permanente construção, aprendendo, errando, amadurecendo.


Palavras que ferem. Gestos mal compreendidos ou deixados sem esclarecimento. O tempo, que jamais retorna. Sentimentos aprisionados pelo orgulho, que silenciosamente adoecem a alma.


Os motivos, tantas vezes, revelam-se pequenos diante da grandeza do que foi perdido. Simples fragmentos da vida que ficaram esquecidos em algum instante do tempo e alteraram o curso de histórias, de encontros e desencontros, de afetos levados pelo vento.


Enquanto isso, o sopro da vida segue seu caminho, cada vez mais rápido em direção ao finito.
Em vez de cultivar remorsos, ressentimentos e dores interiores, poderíamos permitir que florescessem o arrependimento, a humildade e o perdão, pois somente eles têm a força de iniciar o caminho da cura.


Talvez o maior engano do ser humano seja acreditar que ainda haverá tempo. Tempo para pedir perdão. Tempo para abraçar. Tempo para dizer “eu estava errado”. Mas a vida não faz promessas. Ela apenas passa. E, quando percebemos, aqueles que amávamos já não estão mais à mesa, restando apenas a lembrança do que poderia ter sido e nunca foi.


Quase nunca sofremos pelo motivo que nos separou; sofremos pelo tempo que deixamos passar sem voltarmos a nos encontrar.

Dr. Wilfredo Flinck
Dr. Wilfredo Flinck

Psiquiatria

Wilfredo Finck Jr. é médico e apreciador da natureza. Na escrita e na pintura encontra formas de refletir sobre a vida, os sentimentos, a passagem do tempo e os caminhos que compõem a experiência humana.

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