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Exterior positivo e expectativas de reformas sustentam alta do Ibovespa

O bom humor externo e a expectativa de avanço na pauta de reformas no Brasil motivam a B3, que até pode retomada os 125 mil pontos, conquistados no início de janeiro. O reforço de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e de outras principais autoridades dos BCs do mundo de que a aceleração da inflação atual é temporária parece que convenceu os mercados.

A terça-feira promete ser tranquila, com as bolsas europeias e as de Nova York em alta, com o Ibovespa pegando carona, tendo alcançado a máxima intradia aos 124.695,53 pontos.

O minério de ferro também subiu depois de pois de quatro quedas seguidas, fechando a US$ 192,87 a tonelada (alta de 0,23%), no porto chinês de Qingdao, impulsionando as ações do setor. O petróleo, por sua vez, tem instabilidade, o que também gera indefinição aos papéis da Petrobras.

"Investidores ainda reverberam a postura dos BCs tranquilas", avalia o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira, em análise feita a clientes esta manhã, ao referir-se a declarações autoridades de bancos mundiais feitas esta semana de que a inflação elevada atualmente é transitória e que portanto o quadro é de manutenção de política monetária, sem aumento de juro no por ora.

Segundo ele, esse ambiente pode fazer com que o Ibovespa busque o objetivo acima dos 125.300 (125.323,53 máxima no dia 8 de janeiro) conquistados lá no início de janeiro. Ontem, subiu 1,17%, aos 124.031,62 pontos.

O mercado fica ainda na expectativa da divulgação de dados de atividade nos EUA e nos discursos de integrantes votantes do Fed hoje. Nesta manhã, o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin (vota), disse esperar que os EUA estejam prestes a completar sua recuperação econômica, após os choques da pandemia de covid-19.

Além do tom positivo internacional, a perspectiva de avanço da pauta reformista também tende a animar o investidor local, como o acordo para a tramitação da reforma tributária no Congresso, que pode impactar positivamente os ativos domésticos, cita nota da MCM Consultores.

"A Bolsa segue o bom humor externo e também a perspectiva de andamento da reforma tributária. Porém, a indicação é que de fique cada vez mais desidratada, e isso gera desconfiança do mercado", diz o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni. No fatiamento da reforma tributária, o Senado ficará responsável pela análise da sua discussão constitucional e do novo Refis.

Hoje, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em evento do BTG Pactual, disse que deve entregar o texto da reforma administrativa ao Senado no segundo semestre. Disse também que a reforma tributária fatiada deve começar a andar no Congresso Nacional a partir da próxima semana, com projetos de lei tramitando na Câmara e mudanças constitucionais no Senado.

Segundo Velloni, o avanço das reformas é o que deve trazer recursos externos para o País de forma sustentável. "Já vemos a privatização da Eletrobras avançando, e é isso que atrairá diretamente capital para a economia", diz.

Também no evento, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que ficou animado ao ouvir Lira sobre a agenda de reformas para o País.

Porém, o assunto Eletrobras ainda deve ficar no centro das atenções. O setor elétrico decidiu se mobilizar para tentar reduzir o estrago que os 'jabutis' da Medida Provisória da estatal poderão causar sobre os investimentos em energia nos próximos anos. Os papéis cediam entre 0,88% (ON) e 0,64% (PNB) às 10h40.

Ainda na seara corporativa destaque para a informação de que a Azul vem tentando comprar a Latam Brasil, que está em recuperação judicial nos Estados Unidos, apurou o Estadão/Broadcast. A notícia de consolidação do setor pode impulsionar as ações das empresas nas bolsas hoje, que tentam se recuperar dos efeitos da pandemia de covid-19. As ações da Azul subiam 3,17%. O Ibovespa subia 0,37%, aos 124.493,78 pontos, após máxima aos 124.695,53 pontos.

Para Velloni, o avanço da doença no Brasil, que pode levar a novas medidas de restrição e, consequentemente atrapalhar a retomada econômica, é algo que tende a ficar no radar do investidor, assim como a inflação.

No Brasil, a taxa inflacionária deu salto, com o IPCA-15 atingindo 7,27% em 12 meses até maio. Na comparação mensal, contudo, arrefeceu a 0,44%, depois de 0,60% em abril. Porém, o indicador de Difusão do IPCA-15 - que mostra o quanto a alta de preços está espalhada - alcançou 67,57% no quinto mês do ano. Em abril, fora de 61,04% em abril, segundo cálculos do economista Raphael Rodrigues, do BV.

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