Fotos microscópicas mostram exato momento de infecção de célula pelo coronavírus

O registro foi obtido durante estudo que investiga a replicação viral do Sars-CoV-2

Escrito por: Estadão Conteúdo e Agência Brasil2 min de leitura
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Divulgação/Fiocruz
Momento em que célula é infectada pelo coronavírus (círculo escuro) (Divulgação/Fiocruz)

Imagens de microscopia eletrônica inéditas no Brasil mostram o exato momento em que uma célula é infectada pelo novo coronavírus. O registro foi feito pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Em outro registro, é possível identificar diversas partículas do novo coronavírus tentando infectar o citoplasma da célula, onde pode ser visualizado o núcleo, onde fica o material genético. Em uma terceira imagem, partículas virais podem ser observadas dentro do interior da célula.

O registro foi obtido durante estudo que investiga a replicação viral do Sars-CoV-2, conduzido pelos pesquisadores Débora Barreto e Marcos Alexandre Silva, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo.

A pesquisa realizada in vitro utilizou vírus isolados a partir de amostras coletadas de nariz e garganta de um paciente infectado. Esses antígenos foram usados para infectar células amplamente empregadas em ensaios in vitro para testes de replicação viral, chamadas células de linhagem vero.

Pesquisadora do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz, Débora Vieira explicou que o projeto que chegou às imagens investiga o formato e o diâmetro da partícula viral, além de seu ciclo replicativo.

“Conseguimos verificar por análises de microscopia eletrônica todas as etapas da replicação do Sars-cov-2 em células vero”, afirma a pesquisadora, que descreve que as imagens mostram o vírus entrando na célula e espalhando suas partículas no interior dela. Estudos que serão divulgados posteriormente vão mostrar também partículas infectivas captadas saindo da célula.

Débora Vieira destaca que outra conclusão relevante da pesquisa é confirmar que o vírus pode se replicar em células de linhagem vero, que devido a isso poderão ser uma ferramenta na pesquisa em laboratório para vacinas e medicamentos.

“Nosso objetivo era verificar se essas células eram competentes para replicar o vírus, e constatamos que sim”, disse. “Para testes de candidatos a vacinas e fármacos, precisamos de um sistema de cultura de células padronizado, não só para a produção de massa viral, mas para diferentes testes que são necessários”.

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