Grupo em São José auxilia tratamento de portadores da síndrome do pânico
Um desespero súbito toma conta do corpo, enrijece os músculos e dispara o coração. Em fração de segundos, a consciência é irrompida por um sentimento avassalador de desespero. Perante a sensação de descontrole, a única alternativa é procurar a emergência hospitalar.

Um desespero súbito toma conta do corpo, enrijece os músculos e dispara o coração. Em fração de segundos, a consciência é tomada por um sentimento avassalador de desespero. Perante a sensação de descontrole, a única alternativa é procurar a emergência hospitalar.
Após receber a notícia do médico de que não há alterações nos exames de rotina e que as funções vitais encontram-se absolutamente normais, enfim o paciente é apresentado ao diagnóstico: síndrome do pânico.

O psicanalista Douglas Brito trabalha reuniu o grupo há mais de 13 anos
Reprodução
A doença atinge aproximadamente 6% da população mundial e está relacionada, principalmente, a um estilo de vida com acúmulo de preocupações, situação cada vez mais presente no cotidiano das cidades.
Em São José dos Campos, o psicanalista Douglas Brito mantém há 13 anos um grupo de tratamento aos portadores da síndrome, o Gaspan (Grupo de Auto-ajuda aos Portadores da Síndrome do Pânico). Nas reuniões, os integrantes participam de atividades em conjunto, nas quais dividem suas experiências e, principalmente, mantém o foco na positividade como principal meio de vencer a doença.
“Trata-se de uma patologia intensificada pela falta de autoconhecimento. No grupo, a ideia é condicionar os participantes a pensar positivo e mudar suas atitudes. Claro que alguns casos precisam de medicação e a maioria de um acompanhamento individualizado, mas a recuperação começa efetivamente quando o paciente se esforça para adotar uma postura diferente, cuidando melhor do corpo e encarando com coragem seus problemas”, explica.
Os encontros acontecem semanalmente, às quintas-feiras, das 20h às 21h, no Med Center, centro da cidade.
Isolamento
Portadores de síndrome do pânico têm, dependendo do grau da doença, sua qualidade de vida completamente comprometida. Atividades corriqueiras como dirigir, ir ao cinema ou ao trabalho são potenciais ‘gatilhos’ para uma crise. E enquanto temem novos ataques, as pessoas acabam restringindo suas opções e, pouco a pouco, vão separando-se da convivência social.
“Trato a doença como uma resposta explosiva da mente às situações acumuladas ainda não resolvidas. Portanto, o tratamento não é simples. Ele envolve a revisão completa de um estilo de vida sustentado por muito tempo. Por isso é tão importante que a pessoa com síndrome do pânico tenha disponibilidade para rever seu comportamento durante o tratamento”, comenta.
Melhora
Apesar da turbulência, o psicanalista afirma que normalmente as pessoas que passam pela síndrome do pânico saem da doença melhores do que eram antes do início das crises. A exigência de encarar os problemas de frente faz com que a síndrome do pânico seja inclusive vista como uma experiência positiva.
“A pessoa não só consegue voltar às suas atividades normais como também melhora em diferentes pontos de seu comportamento. Aliás, o autoconhecimento é a única maneira de prevenir-se contra a síndrome”, conclui.
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