Impasse no Esplanada coloca vereadores de São José em xeque

A população presente ao evento mais uma vez criticou a ausência dos parlamentares

Escrito por: Eduardo Pandeló4 min de leitura
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Cerca de trezentas pessoas participaram da 11ª reunião da Câmara Presente

Pedro Ivo Prates/Meon

O auditório da ETEP (Escola Técnica Everardo Passos) estava lotado, com cerca de trezentas pessoas que compareceram para a reunião pública realizada pela Câmara de São José dos Campos nesta quarta-feira (29). Foi a décima primeira reunião do programa Câmara Presente e aconteceu no bairro Jardim Esplanada, região central da cidade. Os vereadores assistiram a mais concorrida das reuniões para discutir a Lei de Zoneamento.

A população presente no evento mais uma vez criticou a ausência dos parlamentares. No encontro desta vez, sete vereadores participaram – Walter Hayashi (PSB), Rogério Cyborg (PV), Willis Goulart (PP), Shakespeare Carvalho (PRB) e Roberto do Eleven (PP), Dr Roniel Farias (PP) e Amélia Naomi (PT). O quadro do Legislativo Municipal possui vinte e um parlamentares. O vereador Shakespeare Carvalho (PRB) reafirmou que o convite foi feito a todos. “Sempre encaminhamos de forma igual a todos. Todos os vereadores estão cientes dessa reunião”.

De acordo com Maria Lucia Fonseca Garcia, presidente da AABE (Associação Amigos do Bairro Esplanada) a ausência dos vereadores é decepcionante. “Acho lamentável, sabemos que existe uma divisão entre os vereadores, mas somos uma associação apartidária. Tomamos o cuidado de fazer um convite a cada um dos vereadores pedindo que eles estivessem aqui, mas infelizmente isso não aconteceu”.

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Weber Rios, presidente da Ares

Pesdro Ivo Prates/Meon

O arquiteto Weber Rios, presidente da Ares (Associação para Revitalização do Esplanada) também lamentou a ausência dos demais vereadores. “Sem dúvida a gente gostaria que todos os vereadores viessem. Eu acho essa questão já foi longe demais nas audiências públicas. A gente sabe que existe um problema político em São José dos Campos e isso precisa ser resolvido”.

Representando a Associação de Engenheiros e Arquitetos, AEA, a arquiteta Giuliana Fiszbeyn fez uma apresentação sobre a situação do Jardim Esplanada e reiterou que as embutidas no projeto mantêm o bairro como residencial, porém, o aumento das áreas com a opção de comércio, mesmo em corredores pré-determinados, são o principal ponto de discórdia entre os moradores.

Mais de 60 pessoas se inscreveram para fazer uso da palavra e se revezaram ao microfone aqueles que apresentaram seus argumentos contra ou a favor da mudança na atual Lei de Zoneamento. Empunhando cartazes, os presentes se manifestavam com vaias ou aplausos.

As duas associações representam as divergentes visões sobre o futuro do bairro. A AABE representa os moradores contrários às mudanças, pois querem que o bairro continue residencial. Já a Ares defende o ponto de vista daqueles que acreditam que as ruas “periféricas” do bairro passem a ser “zona mista”, com permissão para comércio de baixo impacto, como clínicas, escritórios, farmácias, escolas infantis, entre outros.

O ponto de divergência está nessa questão. Segundo Weber, é possível chegar a um consenso. “A gente acredita no diálogo, mas nós não conseguimos conversar com a outra associação porque eles querem manter tudo como está e não querem ceder em nada” disse

Para Maria Lúcia, não há mais necessidade de diálogo. “Já fizemos análise da lei e ela não está embasada em estudos técnicos nem na vontade da maioria da população, então cabe à Câmara, como fiscalizadora do executivo, corrigir esse erro”.

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Vereadores ouvem as manifestações

Pedro Ivo Prates/Meon

As manifestações favoráveis e contrárias às mudanças da lei seguiram durante os 90 minutos previstos para o término da reunião, mas ainda haviam 30 pessoas inscritas. O Vereador Shakespeare Carvalho perguntou aos presentes se queriam continuar e a maioria concordou que todos deviam fazer uso da palavra. Por votação, o tempo de cada um dos inscritos, que era de três minutos, foi reduzido para dois e os discursos continuaram.

Questionado sobre a ação dos vereadores no encontro, Shakespeare reafirmou que o objetivo das reuniões é ouvir a população. “Eu e os demais vereadores estamos aqui para ouvir. Tudo está sendo gravado e depois será transcrito e entregue aos outros vereadores que não estiveram presentes.”

Reuniões

A próxima reunião pública do “Câmara Presente” será realizada na quarta-feira (9), no Urbanova, no Auditório do Ceplade que fica na Univap (avenida Shishima Hifumi, 2911), também às 19h.

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