Izaías Santana quer fazer de Jacareí uma referência na RMVale
Existe um esgotamento por 16 anos com repetidas promessas que não foram cumpridas

O portal Meon continua reproduzindo trechos das entrevistas produzidas pela Revista Metrópole Magazine com os pré-candidatos às prefeituras das cidades de São José dos Campos, Taubaté e Jacareí. O Meon quer resgatar as primeiras desta série que também estão disponíveis na íntegra em formato digital. Relembre agora como foi a entrevista com Dr. Izaías Santana (PSDB), de Jacareí.

Dr Izaías Santana (PSDB) disputará a eleição pela segunda vez
Pedro Ivo Prates/Meon
A Metrópole Magazine foi até o diretório do PSDB em Jacareí para conversar com Izaías Santana, 49 anos, coordenador do Arquivo Público do Estado, procurador municipal da Prefeitura de São Paulo (licenciado), professor universitário e pré-candidato à prefeitura de Jacareí.
Era uma quinta-feira chuvosa de janeiro e fomos recebidos por nosso entrevistado na porta do carro com guarda-chuva em punho. Sorridente e preocupado em nos proteger, de pronto carregou equipamentos e nos conduziu. Caminhamos alguns passos até a entrada do diretório, próximo ao Pátio dos Trilhos, no centro da cidade. Na frente, um amplo espaço para as reuniões do partido e, mais ao fundo, poucos móveis em um ambiente com mesa de reunião e poltronas.
Alguns minutos para as fotografias e, entre muitos sorrisos e brincadeiras, Izaías vai se preparando para um bate-papo que durou uma hora e revelou um pouco mais desse “novo líder”.
Nascido em Joaquim Nabuco (PE), Izaías veio para Jacareí em 1979, ainda um pré-adolescente. Já dedicado aos estudos, pegou gosto pela política, começando efetivamente em 1982 quando trabalhou nas campanhas de Franco Montoro, Severo Gomes e Mário Covas. Em 1986, trabalhou para Rogê Ferreira e Luís Paulo Costa. Em 1989 filiou-se ao PSDB no primeiro diretório municipal e também já foi secretário municipal de assuntos jurídicos da Prefeitura de Jacareí. Entre 2000 e 2012, dividindo seu tempo entre São Paulo e Jacareí, dedicou-se aos concursos públicos e aos estudos. Nas eleições municipais de 2012, Dr. Izaías foi o candidato do PSDB e mesmo sendo o menos conhecido entre os candidatos da época, surpreendeu e recebeu 48.883 votos – 42,97% dos votos válidos.
Na conversa que reproduzimos a seguir, Izaías Santana contou como venceu resistências dentro do partido e conseguiu ser o único dos tucanos da região a ter pré-candidatura anunciada com tanta antecedência. Também falou sobre administração pública, desenvolvimento econômico, mobilidade urbana, saúde e, claro, sua expectativa para as eleições de outubro.
Por que o PSDB de Jacareí é o único entre os diretórios tucanos nas cidades da região que já tem um pré-candidato definido?
Porque em um município sem TV e sem grande mídia acompanhando o movimento político, as lideranças surgem a cada década. Além disso, o desempenho na eleição de 2012 surpreendeu o mundo político de um modo geral e demonstrou a viabilidade da candidatura. O partido não tem porque mudar, nós só temos que, durante esse período, aprofundar o trabalho junto à população e chegar às eleições de outubro com uma potencialidade completamente diferente do cenário de 2012.
Este ano temos um cenário eleitoral muito diferente na região e em todo o Brasil. Que cenário será esse em Jacareí?
Existe um esgotamento por 16 anos com repetidas promessas que não foram cumpridas, além do esgotamento moral, tanto a nível nacional como local. O grupo que comanda o município se limitou a dois nomes que estão fora do pleito, há um esgotamento de lideranças. Não houve um trabalho prévio nesses últimos anos, é o pior dos quatro mandatos PT/PMDB.
Tudo isso em um cenário de legislação diferente, com somente 45 dias de campanha, contribuições só de pessoas físicas e restrições máximas à propaganda. Assim, quem tem trabalho político nos quatros anos acaba dando largada de uma posição extremamente favorável.

” O PT sai do Governo Federal destruído”
Pedro Ivo Prates/Meon
Toda essa conjuntura não permitiu que o PSDB abrisse a discussão. Internamente, houve pretensões, mas isso foi resolvido na disputa de chapa. Quando nossa chapa vence na disputa da convenção, com uma votação expressiva, isso já representa a vontade da direção do partido.
E como está o trabalho junto aos outros partidos para as coligações?
Todos os partidos ficaram com pé atrás, porque agora, com as novas regras, todos podem mudar de partido e a situação ficou indefinida. As lideranças locais não são senhoras do destino, então eles precisam esperar se vão ficar ou não com a provisória do partido para só então assumirem um compromisso. Esses partidos dependem das executivas estaduais e há muita interferência, porque temos muitos deputados em todas as legendas costurando seus acordos.
Aprofundar discussões nesse período é perder tempo. Nesse momento, é mais importante estruturar a campanha e preparar o plano de governo. Hoje, o PSDB de Jacareí mantém as conversas com o PSC e com todos os partidos que estiveram conosco em 2012. Há também outros grupos políticos que temos que aguardar as definições, como o PSB, que está no governo do Estado, o PR e o PMDB, que romperam com o governo. Vamos ver se é possível construir parceria. Em maio teremos condições de avaliar o peso político de cada partido.
A aproximação está se dando por afinidade com o PSDB, com projeto ou comigo e o restante está esperando para ver quem serão os candidatos. Os partidos avaliam se existe possibilidade para uma terceira via e nós temos que respeitar isso. Todos os partidos têm o seu tempo e a sua dinâmica. Quem não tem o direito de discutir candidatura é o PSDB de Jacareí, pois está definido desde 2012 e está muito claro para nós.
Teremos novamente uma polarização PSDB X PT?
Eu acredito que, na média, vai permanecer, pois é um fenômeno peculiar às eleições municipais. Quem tem ações concretas ou modelo de gestão para mostrar à população, são os dois partidos que têm, em sua história, realizações em âmbito federal, estadual e municipal, propostas, ações e intervenções concretas na vida das pessoas, capazes de gerar credibilidade. A polarização não é de todo mal. Na Alemanha, Inglaterra e EUA se vive a polarização e sempre haverá isso, pois as pessoas decidem um plano municipal pensando: quem está no governo? Queremos mudar ou manter?
Se as pessoas querem manter, aquele governo vai continuar. Se querem mudar, se fazem a seguinte pergunta: quem é o grupo político capaz de apresentar um plano de governo viável e melhor do que o atual?
Nesse cenário, as realizações, experiências e administrações passadas são os elementos que dão credibilidade a esse discurso. É preciso que esses dois partidos entrem em um descrédito tal, que uma terceira força, sem ter um projeto passado, possa aparecer como uma alternativa viável. Precisa de um líder que se constitua fora do meio político e isso é muito difícil, já que a sociedade civil, o meio acadêmico ou a comunicação social não participa mais da vida política.
Isso é bom ou ruim?
É ruim, mas permite que a disputa seja entre políticos de dois ou três grandes partidos, porque pra fugir dessa dicotomia será preciso alguém que tenha prestígio fora do meio, e se esse prestígio não for verdadeiro, ele é destruído durante a campanha. Então não acho de todo ruim, e acho que viveremos ainda mais uns oito anos de polarização. Agora, o PT sai do Governo Federal destruído, não tenho dúvida, só não está claro o que vai surgir no lugar.
A entrevista completa você encontra na versão digital da Metrópole Magazine Clique aqui.
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