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Juros devolvem queda e ficam de lado com cautela sobre fiscal após fala de Guedes

Os juros futuros, que tinham queda firme pela manhã, zeraram o recuo à tarde, passando a rondar a estabilidade durante toda a segunda etapa. O foco no cenário externo que prevaleceu inicialmente, em especial com a queda nos rendimento dos Treasuries, deu lugar à realidade local, com destaque para os receios com o cenário fiscal reforçados por declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele sinalizou para a extensão em "dois ou três" meses do pagamento do auxílio emergencial seguido de um programa "reforçado" para substituir o Bolsa Família. Foi a senha para uma postura de maior cautela, considerando ainda que, na quarta-feira, tem Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 5,125%, de 5,122% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 ficou estável em 6,72%. O DI para janeiro de 2025 terminou a sessão regular com taxa de 7,76%, de 7,795% na segunda-feira, e a do DI para janeiro de 2027, que nas mínimas da manhã chegou a 8,25%, encerrou em 8,30%, de 8,324% no ajuste anterior.

O diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga, destacou que pela manhã as taxas estiveram bem correlacionadas às curvas lá fora, mas deslocaram o foco para o ambiente interno à tarde, sobretudo a partir da fala de Guedes por volta das 12h30.

Em evento virtual da Frente Parlamentar do Setor de Serviços, o ministro admitiu a chance de prorrogar o auxílio por três meses, quando a expectativa do mercado era de que fosse por dois meses. Guedes disse ainda que "logo depois" "entra o novo Bolsa Família, reforçado".

No meio da tarde, já em evento do Bradesco, ele voltou ao assunto e disse que "se for necessário estender (o auxílio) para outubro, tudo bem". Sobre o novo programa, explicou que seguirá linhas "conservadoras" já observadas hoje no Bolsa Família e que os recursos ficarão dentro do Orçamento e do limite do teto de gastos.

"Prorrogar o auxílio por dois ou três meses, no fundo, não faz tanta diferença, mas a ampliação do Bolsa Família chama a atenção. É o conjunto da obra", disse Braga, que destaca o fato de ter sido Guedes, tido como o grande defensor da disciplina fiscal, a sustentar a ideia. "Chama a atenção tal sensibilidade num ano eleitoral", comentou.

Em evento do JPMorgan, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a inflação está crescendo "em vários lugares". Ao abordar as ações dos países para sustentar suas economias durante a pandemia, voltou a afirmar que existe hoje uma questão em torno do quanto é eficiente prover mais estímulos e até que ponto o País pode fazer mais. No Brasil, porém, manteve a avaliação de que os choques de inflação são temporários.

Tal avaliação reforça a discussão sobre se a autoridade monetária vai manter a sinalização de recomposição parcial da Selic no processo de ajuste monetário em sua comunicação, dada a piora da inflação corrente e das expectativas de inflação e surpresas positivas com a atividade, endossadas nesta terça na agenda de indicadores. O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou de 2,22% em abril para 3,40% em maio, abaixo da mediana das estimativas (3,66%). Já os dados do varejo em abril superaram a mediana das previsões, colocando viés de alta nas projeções de PIB no segundo trimestre.

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