Marcondes Cesar: “verticalização se tornou um palavrão em São José”

A elaboração da nova Lei de Zoneamento é a principal discussão entre os representantes da construção civil e a Prefeitura em São José dos Campos. Para o construtor Frederico Marcondes Cesar, um dos problemas é a limitação da verticalização. “A verticalização se tornou um palavrão em São José”, afirma.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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Marcondes César:

Marcondes César: “verticalização se tornou um palavrão em São José”

Rodrigo Ribeiro/Meon

A elaboração da nova Lei de Zoneamento é a principal discussão entre os representantes da construção civil e a Prefeitura em São José dos Campos. Para o construtor Frederico Marcondes Cesar, um dos problemas é a limitação da verticalização. “A verticalização se tornou um palavrão em São José”, afirma.

“Temos que tirar esse palavrão que 15 andares é o limite. Por que não 12? Por que não 21? Qual é o critério? O que estamos falando hoje para a prefeitura é sobre a densidade demográfica e adensamento populacional, que é o número de pessoas naquele local. É isso que importa, não importa a altura do prédio. Posso fazer um prédio de 30 andares com um apartamento por andar, qual a densidade nesse caso? Nenhuma”, conta o empresário.

Em entrevista ao Meon, Marcondes Cesar, diretor regional do Secovi (Sindicato da Habitação), falou sobre a elaboração da nova Lei de Zoneamento e os desafios no mercado da construção civil.

Qual a relação da densidade demográfica com a verticalização?
Na última visita que Carlos Bernardes, presidente da Secovi-SP, fez a São José, ele falou sobre adensamento populacional. Mostrou uma foto de Paris, uma de Nova York e outra de São Paulo e perguntou o que o público achava das cidades. As duas primeiras receberam elogios e a capital paulista não. O adensamento de São Paulo é de sete pessoas por um determinado local. Nova York é 22 e Paris 24, mais que três vezes de São Paulo, o que prova que a verticalização não tem nada a ver com isso.

É verdade que na elaboração da atual Lei de Zoneamento vocês, empresários e entidades do setor, não puderam participar? E agora como está?
É verdade, não participamos. Apresentamos 70 sugestões e nenhuma foi aceita. Nesse ano estamos conversando com o Emmanuel (Antonio dos Santos), secretário de Planejamento Urbano, e acho que vamos conseguir participar. Nós do Secovi estamos debatendo com ele sobre loteamento. A Aconvap está discutindo verticalização e a Associação dos Engenheiros, o comércio e indústria. Então, fragmentamos para cada entidade levar sua proposta para ganharmos tempo porque é um negócio complexo com um tempo curto.

Como deve ser essa relação prefeitura e entidades?
Falei para o vice-prefeito Itamar Coppio (PMDB) que precisamos ser ouvidos. Eles têm vários Wanderley Luxemburgo e Muricy Ramalho no time, excelentes técnicos. Nós temos vários Neymar no nosso time. Disse a ele que vamos pegar a expertise dos técnicos da prefeitura e a nossa, que colocamos a camisa e entramos em campo, para poder debater.

A atual Lei de Zoneamento te afetou? Como?
Em São José ficou difícil e fui embora. E quem está perdendo com isso não sou eu é a cidade. No fim do ano vou terminar quatro torres em São José dos Campos e não tenho nenhum outro projeto na cidade. O que vai acontecer? Vou mandar 280 funcionários embora, o que vai impactar em tudo, no comércio, mercadinho de bairro, transporte, etc. Tenho um terreno próximo ao Vidoca avaliado em R$ 15 milhões e só posso fazer nove metros de altura. O que vou conseguir viabilizar ali para vender? Para se ter uma ideia, na última lei de 2010, a prefeitura aprovou 280 grandes projetos, que são os acima de 600 m². No ano passado aprovou oito.

Qual seria a elaboração perfeita para a nova Lei de Zoneamento?
Nós estamos percebendo que vai existir um debate dentro do Executivo porque o que nós queremos é que quando chegue no Legislativo, já chegue com toda a sociedade ouvida, com um projeto fechado para aprovação.

Como deve ser feita a política de verticalização?
Nós empresários seguimos tendências, não criamos. Se a tendência é verticalizar o Jardim Alvorada, o que o prefeito deve fazer? Deve disciplinar a verticalização no bairro. Depois chegam e falam: aqui vocês não vão verticalizar mais, vão verticalizar lá no bairro do Putim. Mas não é a tendência, você tem que disciplinar a tendência. É isso que queremos mostrar, que existe uma tendência de verticalização em São José em determinados bairros.

E se as sugestões não forem inseridas na nova lei, o que você vai fazer?
Sempre falo o seguinte: felizmente existem dois “brasis”, o público e o privado. Eu estou no Brasil privado, por isso que as coisas andam. Se estivesse que pautar as minhas coisas no Brasil público, não fazia nada. Então, estou pautado no Brasil privado.

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