É o que tem pra hoje!
Maestro João Carlos Martins conta sobre sua vida, aprendizado e o filme sobre a sua história para o Meon. #éoquetemprahoje!





















Hoje, uma conversa especial com o Maestro João Carlos Martins para a coluna #éoquetemprahoje, feita pelo jornalista Marcus Alvarenga. Confira!
O maestro esteve em Caçapava, no último domingo (12), para uma apresentação em homenagem aos 160 anos da cidade. O pianista, que iniciou sua carreira nacional aos 13 anos e chegou ao exterior com 18 anos, sentiu a pior dor de um músico: a de ter que abandonar os palcos em 2002.
No livro ” A Saga das Mãos – João Carlos Martins”, escrito em coautoria com Luciano Ubirajara Nassar, o músico relata parte do sofrimento que lhe deu mais força para se tornar o que é hoje, um dos mais renomados maestros da história.
Em trecho do livro, João Carlos Martins confidencia a emoção de insistir em viver de seu sonho: “Londres, 25 de junho de 1998. Nesse dia, completei 58 anos. Mais de meio século já se passou desde que dedilhei pela primeira vez o teclado de um piano. Mas não é isso que torna a data tão especial. Confirmei a operação que iria seccionar o nervo de minha mão direita, acabando para sempre com minha carreira de pianista. No segundo movimento do concerto, se uma câmera se aproximasse de meu rosto, captaria as lágrimas escorrendo, discretas, inexoráveis.”
Após cinco anos da paralisia, o músico retornou aos palcos e iniciou o projeto que, segundo ele, é a maior herança de vida que poderia deixar: a Fundação Bachiana, que forma novos músicos em várias partes do país.
Acompanhe, abaixo, a entrevista com o maestro João Carlos Martins.
Qual o seu contato com o Vale do Paraíba, tanto no cenário musical, quanto pessoal?
Só pra você ter uma ideia, o filme sobre a minha vida vai ser feito no Vale do Paraíba e em Nova York. Então, se eu escolhi o Vale é porque realmente tenho uma ligação muito grande com essa região. O filme começa a rodar em outubro para ser lançado no meio do ano que vem em 82 países. O Vale do Paraíba encabeça 70% da filmagem.
Por que o Vale?
Foi uma decisão minha e do cineasta Bruno Barreto. Agora, eles vão fazer todo o trabalho de campo no mês de agosto e setembro, escolhendo os locais. Claro que em algumas ruas, na filmagem, vai parecer que a pessoa está em Portugal, por exemplo, ou na Colômbia e em outros países, mas será tudo por aqui mesmo. O elenco é muito pequeno, porque o filme é baseado na minha obstinação.
Como observa o grande número de pessoas que lotam as praças públicas para assistir a uma apresentação?
A nossa dedicação é tão grande que já atingimos, nesses 10 anos ao vivo, 11 milhões de pessoas. Então, é um trabalho de democratização da música clássica, que se baseia numa frase de Villa Lobos: “Não é o público inculto que vai julgar as artes, mas a arte que mostra a cultura de um povo”.
Qual o sentimento depois da ameaça de nunca mais voltar aos palcos?
Que eu sou teimoso! Muito teimoso (risos).
E sobre a iniciativa da Fundação que une jovens músicos e profissionais experientes?
É uma orquestra de unificação, lembrando que hoje se consagra como a principal orquestra da iniciativa privada do país. Isso é uma vitória da procura e da excelência musical, com o apoio da indústria de São Paulo.
Qual a dica para jovens e crianças que buscam se tornarem músicos clássicos?
Eu conto uma história. Uma menina chegou em Nova York para estudar. Quando ela chegou lá, a primeira coisa que queria era conhecer o Carnegie Hall, que é o principal teatro do mundo. Lá as ruas são por números. O Carnegie Hall é na rua 57 e ela estava na rua 27. Ela perguntou para uma senhora: “Como que eu faço pra chegar em ‘carned hall’?”. A senhora respondeu: “Estudando muito, minha filha!”. Eu sempre digo que essa é a única forma.
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