Escolas de idioma buscam alunos em bairros de periferia
A nova aposta das pequenas escolas de inglês no País é focar em alunos de classes sociais mais baixas. Por isso, elas oferecem mensalidades com valores acessíveis e cursos rápidos, com até 18 meses de duração. Uma empresa que percorre esse caminho, por exemplo, é a Minds English School. O negócio, fundado em 2007, atende mais de 60 mil alunos…

A nova aposta das pequenas escolas de inglês no País é focar em alunos de classes sociais mais baixas. Por isso, elas oferecem mensalidades com valores acessíveis e cursos rápidos, com até 18 meses de duração.
Uma empresa que percorre esse caminho, por exemplo, é a Minds English School. O negócio, fundado em 2007, atende mais de 60 mil alunos e faturou R$ 101 milhões em 2013. “Queremos desmistificar a lenda de que o inglês é só para pessoas de classes A e B”, afirma a proprietária do empreendimento, Leiza Oliveira. A empresária conta que esse modelo de escola tem atraído pessoas que antes não sentiam necessidade de aprender outro idioma, como por exemplo faxineiros e babás. Leiza afirma, inclusive, que mais de 50% dos seus alunos são das classes C e D. “Temos notado um crescimento de mais de 20% da procura por pessoas da classe C do ano passado para cá”, afirma. O empreendimento cobra mensalidades que oscilam entre R$ 150 e R$ 180.
Um ano depois de abrir o negócio, com investimento em torno de R$ 300 mil, a escola começou a expandir por meio de franquias. Quatro unidades são próprias e outras 71 franqueadas – 50% dos franqueados têm mais de uma unidade. São Paulo é a principal região de atuação da Minds, onde estão 20 escolas, mas outros estados – principalmente no Nordeste – também são considerados promissores. “Temos uma franqueada que tem duas unidades no Recife e está abrindo mais três escolas em Salvador, João Pessoa e Maceió”, exemplifica Leiza Oliveira.
Estratégia
Para escolas que atuam nesse segmento, a captação de alunos é fundamental. A Pop Idiomas, por exemplo, tem unidade no ‘pé’ do morro do Alemão, no Rio de Janeiro. “A Pop é a escola do povo, de (classes) C a Z”, diz um dos sócios do negócio, Vinicius Almeida. A empresa atende 20 mil alunos e também atua com o modelo de franquia desde 2012. Hoje a escola conta com 99 unidades franqueadas, além de 19 próprias. Em setembro, a Pop planeja oferecer também o curso de espanhol. O preço da mensalidade, para duas horas semanais, não passa de R$ 120 e chega a ser de R$ 80 em cidades menores. O empreendimento faturou quase R$ 5 milhões no ano passado. “Uma unidade tem em média 40% de lucro, mas algumas chegam a 60%”, afirma Almeida.
E esse mercado deve ficar ainda mais concorrido. O grupo Zaiom Microfranquias está trazendo para o Brasil a marca Globish e pretende abrir 500 unidades em quatro anos, 50 delas ainda em 2014. O valor da mensalidade será de R$ 129, para um curso de 18 meses. A metodologia, criada na França, promete ensinar inglês com base nas 1,5 mil palavras mais usadas no idioma. Segundo o sócio do grupo, Marco Imperador, esse é um sistema voltado para as classes D e E. “Já temos cinco franquias vendidas, três em São Paulo e duas no Rio de Janeiro. São todas baseadas na periferia, a gente não monta escola em bairro chique”, afirma. O investimento para o interessado em abrir uma unidade da marca, informa o grupo responsável pela empresa, oscila entre R$ 15 mil e R$ 35 mil.
Análise
Na opinião do professor de comportamento do consumidor Fábio Mariano, da ESPM, esse movimento de escolas voltadas às classes de baixa renda começou há cinco anos aproximadamente e tem atraído também marcas mais tradicionais. “A exigência de fluência para o público A e B ficou maior, não basta somente entender, tem que saber. E, cada vez mais, esse público procura professores particulares, o que criou uma concorrência para as escolas ‘top’. Isso faz com que elas também voltem os olhos para as classes mais baixas”, afirma.
Para quem atua no segmento de classes C e D, o professor alerta que deve haver um cuidado especial com o prazo prometido para que o aluno efetivamente aprenda o idioma. “É preciso considerar que as pessoas, geralmente, vêm de uma base sofrível (de educação) e que por isso será exigido esforço do aluno”, argumenta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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