IFI: meta de primário é crucial; só teto não é suficiente para estabilizar dívida
Após prever um déficit primário de R$ 156,2 bilhões em 2017, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto, avaliou nesta quinta-feira, 10, que abandonar o uso de metas de resultado primário neste momento para focar apenas no cumprimento do teto de gastos seria uma má sinalização com relação ao ajuste…

Após prever um déficit primário de R$ 156,2 bilhões em 2017, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto, avaliou nesta quinta-feira, 10, que abandonar o uso de metas de resultado primário neste momento para focar apenas no cumprimento do teto de gastos seria uma má sinalização com relação ao ajuste fiscal brasileiro e poderia ser insuficiente para que se alcance uma estabilização da dívida na proporção do PIB no longo prazo.
“A meta de primário é crucial nesse momento, abandonar a meta seria um grande tiro no pé. É importante ter esse compromisso, porque abandonar meta poderia parecer um descompromisso com o ajuste fiscal”, avaliou.
Embora o governo não tenha sinalizado nenhuma intenção de mudança, nas últimas semanas, o debate sobre a manutenção da meta de primário – que leva em consideração receitas que não estão sob o controle do Estado – ganhou corpo em parte do mercado.
Economistas chegaram a defender o teto de gastos como única meta a ser perseguida pela equipe econômica nos anos à frente. “Esses economistas têm uma preocupação com crescimento econômico, mas Teto de Gastos só gera restrição para valer nas despesas em 2020, quando passa a ser superrestritivo”, acrescentou Salto.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) divulgado nesta quinta pelo IFI mostra ainda que o primário requerido para estabilizar a dívida pública na proporção do PIB chegou a 5,2% do Produto Interno Bruto no acumulado de 12 meses até junho.
“As dívidas líquida e bruta continuam crescendo mesmo com o esforço fiscal, e não há sinal de queda no curto prazo. Com isso, existe o risco do endividamento entrar em trajetória de insolvência, mas esse risco hoje está controlado porque prioridade do governo é manter ajuste fiscal”, avaliou o diretor-executivo do IFI. “Caso se abandone meta de primário agora, o Teto de Gastos não seria condizente com a necessidade de ser criar déficit menores para que a escalada da dívida seja contida”, completou.
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