A origem caipira
Talvez pelo ritmo acelerado que vivemos nas grandes cidades, não paramos para pensar na origem da nossa cultura caipira e o quanto ela está presente no nosso jeito de ser atual.

Talvez pelo ritmo acelerado que vivemos nas grandes cidades, não paramos para pensar na origem da nossa cultura caipira e o quanto ela está presente no nosso jeito de ser atual.
Hoje desenvolvida e próspera, a nossa região sudeste teve no início de sua história pós-colonial fases muito humildes. Enquanto as capitanias nordestinas cresciam apoiadas na produção promissora dos canaviais, os engenhos de açúcar da região paulista não prosperavam, tivemos uma ascensão econômica somente no final do século 19, com a implantação das lavouras de café. A nova sociedade mameluca que se formava até então, a partir da fusão entre os exploradores europeus e os nativos locais, se apoiou nos saberes milenares indígenas, totalmente adaptados às necessidades locais.
Os habitantes viviam a partir de roçados de itens nativos como mandioca, milho, feijão, abóboras e tubérculos, da carne de caça e pesca. Além das técnicas de agricultura, coleta de frutos e caça, adotaram rapidamente os hábitos também indígenas como o pito do tabaco, dormir em rede, uso de apetrechos como panelas de barro e pereiras de palha, banhar-se constantemente no rio e parte de um domínio medicinal alternativo, conhecendo o poder curativo de plantas e ervas, hábitos presentes até hoje.
Apesar de simples e de certa forma restrita a alimentação apresentava pequenas diferenças da indígena, o uso de toucinho, linguiça e até mesmo do sal eram considerados luxo pela dificuldade de encontrar tais itens, mas o ímpeto de resgatar o estilo europeu era constante.
A dieta europeia baseada no trigo, no azeite e no vinho havia sido perdida, a rapadura e a pinga de cana foram incorporadas como um “consolo”. Devido à necessidade, receitas se adaptaram aos ingredientes locais, trigo e painço foram substituídos pelo milho nos angus, a grande variedade de feijões desenvolvida pelos índios facilmente substituíram as favas conhecidas pelos europeus, e sempre que possível faziam cozidos das carnes de caça, aproveitando ao máximo o rendimento, pois o caldo produzido era novamente misturado à farinha de milho ou de mandioca gerando os pirões, também ao estilo indígena.
A partir desta fusão de costumes podemos observar a formação, o surgimento desse novo e autêntico modo de ser. Conforme o professor Silveira Bueno trás em seu dicionário Tupi-Guarani, o significado do termo caipira possuí duas interpretações, a primeira caí-pyra seria o tímido, o envergonhado, a segunda, como define o próprio professor em sua obra: “…caipira é o matuto, o roceiro que ainda não se deixou tomar pela maneiras da cidade. Assim achamos que venha de caá, mato…”, fazendo referência ao conhecimento incorporado e criado para a vida no campo.
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