Salve-se quem puder: hoje é Dia da Sogra!

Na ficção, elas fazem a vida de noras e genros um inferno

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Maria Marta (Lília Cabral) em Império: a sogra que ninguém quer ter

Divulgação

Ardilosa, trapaceira, enxerida, inconveniente e até assassina. O papel ocupado pelas sogras no cinema, teatro, literatura e teledramaturgia não dá trégua à figura que habita o imaginário popular e faz qualquer moça se arrepiar antes de cogitar a hipótese do casamento. Pois esta terça-feira (28) é oficialmente o dia dela.

E, se depender das obras de ficção, a data é de tristeza geral da nação. O ícone do espezinhamento de genros e noras é representado por personagens marcantes principalmente nas novelas.

A televisão é solo fértil para as sogras colocarem as asinhas de fora em toda sorte de armações e cutucadas venenosas. Maria Marta, personagem interpretada por Lília Cabral, marcou sua passagem pela novela Império também pelos homéricos arranca-rabos com a nora Danielle (Maria Ribeiro).

Antes dela, outras personagens já haviam deixado sua marca como sogras-vilãs na teledramaturgia. Na novela “Morde e Assopra”, de 2011, Salomé (Jandira Martini) chegou a trocar sal por açúcar para confundir a nora (Carol Castro) enquanto preparava uma receita para o filho (Sérgio Marone). Já em América, de 2005, a cascavel atendia pelo nome de Diva (Neuza Borges) e vivia para separar o filho Feitosa (Aílton Graça) da namorada Islene (Paula Burlamaqui).

No cinema também não faltam exemplos. Mrs. Robinson (interpretada por Anne Bancroft) atormenta a vida do jovem Benjamin (Dustin Hoffman) no clássico, “A Primeira Noite de Um Homem”, de 1967. Mais recentemente, em “A Terapia do Amor” (2005), a psicóloga Linda (Maryl Streep) incentiva o relacionamento de Rafi Gardet (Uma Thurman) com um homem 15 anos mais jovem até descobrir que o namorado em questão trata-se de seu próprio filho, David (Bryan Greenberg). A partir daí, até mesmo a equilibrada psicóloga sede ao comportamento super protetor e cria situações hilárias para separar o casal.

Freud explica
Falando em psicanálise, é justamente no campo da psique humana que se esconde a explicação para o comportamento vil das sogras. A relação torna-se conflituosa quando duas mulheres, sogra e nora, passam a disputar o amor do mesmo homem.

“Para a mãe é como estar perdendo o amor do filho para outra mulher. Ela não entende, no fundo, que são sentimentos diferentes que o filho tem pela mãe e pela nora. É isso que gera o desgaste”, explica o professor de psicologia da Unitau, Paulo Sodré.

Literatura
Na literatura, a última obra de Aluísio Azevedo, “O Livro de Uma Sogra” (1895) é uma das primeiras obras brasileiras a tratar o tema com humor ácido. Na trama, a sogra do título é responsável por uma série de intervenções na vida da filha recém-casada.

“É um romance naturalista experimental, moderno para a época, que já retratava a sogra como um personagem Tipo. Ou seja, que ressalta apenas algumas características estereotipadas”, afirma o professor de literatura Luzimar Goulart.

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