Tempo bom em Londres
Uma casa com construção típica do sudoeste de Londres com vista para o Rio Tâmisa. O projeto assinado pelo arquiteto brasileiro Juliano Cordano começou na escolha do imóvel, alugado para abrigar dois moradores em busca de algo que se encaixasse perfeitamente na vida agitada que levam na cidade inglesa. “Não existe um só uso da casa, já que a agenda dos moradores é muito inconstante. Algumas vezes os dois moradores estão, ao mesmo tempo, trabalhando e recebendo hóspedes. Outras, a casa abriga apenas um deles”, diz o arquiteto.


O cinza londrino pode ser amenizado com um controle de tons da decoração
David Jensen/Divulgação/Estadão Conteúdo
Uma casa com construção típica do sudoeste de Londres com vista para o Rio Tâmisa. O projeto assinado pelo arquiteto brasileiro Juliano Cordano começou na escolha do imóvel, alugado para abrigar dois moradores em busca de algo que se encaixasse perfeitamente na vida agitada que levam na cidade inglesa. “Não existe um só uso da casa, já que a agenda dos moradores é muito inconstante. Algumas vezes os dois moradores estão, ao mesmo tempo, trabalhando e recebendo hóspedes. Outras, a casa abriga apenas um deles”, diz o arquiteto.
Por ser alugado, o espaço não poderia sofrer nenhuma obra estrutural, mas a decoração deu conta de transformar a casa em um lugar único. Com 120 m², o imóvel se divide em três pisos. No primeiro, um pequeno hall de entrada decorado com garrafas de vidro artesanais entrega a cor que predomina no resto da casa, o azul, escolhido pelo arquiteto para representar o céu da cidade nos poucos dias de sol do ano.
No segundo, um grande sofá funciona como divisor de espaço: de um lado, jantar; de outro, estar, com lareira para os dias de inverno rigoroso. Sobre a mesa, o candelabro de cristal preto, comprado em uma loja de antiguidades de Genebra, tem altura ajustável por uma roldana de aço. Os quadros na parede guardam páginas de um livro ilustrado com gravuras de flor de lótus feitas pelo artista plástico Deraldo Ferreira Neto.
Ainda no segundo piso, na suíte principal, a cortina de veludo azul faz a conexão com o resto da decoração. As tradicionais mesas de cabeceira deram espaço a bandejas simplesmente colocadas no chão. Para o quarto de hóspedes, o arquiteto desenvolveu uma cabeceira que também serve como aparador de objetos. “Fiz isso para aproveitar melhor o espaço e também para propor uma outra atmosfera ao ambiente, criando um novo layout, diferente do estar, por exemplo.”
No mesmo piso, o escritório foi decorado sem nenhum tom de azul. “Como os moradores trabalham em casa, queria que o ambiente sugerisse um espaço totalmente reservado. É como se eles estivessem em outro lugar”, comenta Cordano.
A cozinha, instalada no último andar, foi feita de modo a abandonar qualquer clichê. “A proposta era fugir do óbvio e criar algo que convidasse moradores e convidados a relaxar”, conta o arquiteto. Para isso, um grande sofá laranja quebra a “regra azul” da casa e transforma o cômodo em uma grande sala de entretenimento.
Na planta original, esse espaço era um sótão, mas foi transformado em um mezanino depois de uma reforma feita pelos proprietários. A estante antiga dos atuais moradores, que antes servia de biblioteca, agora apoia a TV e dezenas de vasos com folhagens. “Quando os dias estão gelados, os moradores podem sentir um pouco da vibração do jardim do terraço dentro de casa para relaxar.”
Mas o móvel de ferro não foi a única peça que resistiu à mudança do antigo apartamento, na Suíça. “Absolutamente todas as peças foram reaproveitadas. Mas propusemos outros usos, novas possibilidades, em um contexto totalmente novo. E, claro, azul”.
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