Após correr risco de três anos de gancho, Eurico Miranda é apenas advertido
Eurico Miranda entrou na sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta quinta-feira correndo o risco de ser suspenso por até três anos. Mas, depois de usar a tribuna para se defender e disparar novas críticas contra a CBF e a arbitragem – motivo da denúncia – saiu apenas advertido pela 5.ª Comissão Disciplinar do STJD. Eurico…

Eurico Miranda entrou na sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta quinta-feira correndo o risco de ser suspenso por até três anos. Mas, depois de usar a tribuna para se defender e disparar novas críticas contra a CBF e a arbitragem – motivo da denúncia – saiu apenas advertido pela 5.ª Comissão Disciplinar do STJD.
Eurico havia sido denunciado por declarações dadas em duas entrevistas coletivas concedidas após a partida contra a Chapecoense, em 15 de outubro. O presidente vascaíno disparou contra a arbitragem do jogo, contra a Comissão de Arbitragem e contra a CBF. Numa das entrevistas, Eurico Miranda chegou a falar em “guerra sem quartel”. Por conta disso, foi enquadrado por desrespeito, conduta contrária à disciplina e a ética desportiva e por incitar publicamente o ódio ou a violência. Somadas, as penas ao mandatário poderiam chegar a três anos de suspensão e R$ 100 mil de multa.
O cartola compareceu ao STJD e, por cerca de 15 minutos, fez sua manifestação. Ele atacou duramente a procuradoria do tribunal e voltou a criticar o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e a comissão de arbitragem.
“Eu lamento que o procurador que assinou a denúncia não esteja aqui”, declarou Eurico, logo de início. “Porque eu não aceito que o procurador diga que eu sou um mau exemplo para a juventude.”
O dirigente se mostrou revoltado “com os termos da denúncia”. E largou uma indireta: “Muitos aqui nem tinham nascido ou estavam na puberdade quando eu já militava na Justiça Desportiva”.
Antes do depoimento de Eurico, a defesa do Vasco – representada pelo advogado Paulo Rubens Máximo – exibiu imagens dos lances das partidas do time que geraram a indignação do presidente. E o cartola falou sobre as imagens para lembrar as críticas à CBF.
“Eu não disse uma única inverdade na minha entrevista, eu não ofendi ninguém. Nada do que eu disse em relação ao Marco Polo Del Nero e ao Delfim Peixoto é inverdade”, afirmou Eurico.
“Até hoje, o Marco Polo não saiu (da presidência da CBF) porque teria que passar o cargo para o Delfim”, considerou o mandatário vascaíno. “O seu Marco Polo Del Nero, que está fragilizado, fica se encolhendo. E eu não tenho nada a ver com isso, desde que isso não atrapalhe o Vasco.”
O dirigente também citou o fato de já ter sido punido pelo STJD no início do século – o que, em termos de punição, não tem nenhuma influência, já que só é considerado reincidência fatos ocorridos no último ano. “Se eu tivesse sido condenado há dez anos, já estava solto”, comentou.
Os argumentos de Eurico parecem ter sido acatados pelos auditores. O voto do relator do caso, Rodrigo Raposo, contou inclusive com uma defesa do cartola em relação à denúncia de incitação pública a ódio e a violência. O próprio procurador que trabalhou na sessão, Alessandro Kishino, já havia pedido absolvição em relação a essa acusação.
Raposo votou pela pena mínima, advertência. E pediu que se comecem a oferecer denúncias no STJD contra eventuais “omissões” da CBF em relação a arbitragem. O mesmo foi seguido pelos demais auditores.
DELFIM É ADVERTIDO – Julgado mais cedo pela mesma comissão, Delfim Peixoto foi inicialmente punido com a pena mínima prevista para o seu caso, de 15 dias de suspensão. Mas o relator Rodrigo Raposo pediu a conversão da punição em advertência, mesmo voto dado pelos demais auditores.
“Acho que foi um julgamento justo”, disse Delfim, que compareceu à audiência para dar seu testemunho. “A repreensão é mais uma chamada para, no futuro, a gente pensar um pouco mais”.
Delfim Peixoto havia sido denunciado por chamar Eurico Miranda de “mentiroso” e “idiota” em uma entrevista. “Quando chamei o Eurico de idiota foi mais uma reação à situação toda, porque eu achava que era uma idiotice”, declarou Peixoto.
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