‘Aviões 2’ não inova na narração nem na técnica
Como se avalia um filme que já é derivado de outro? Quando estreou o primeiro Aviões, quase todo mundo deu-se conta de que era quase um carro com asas. Aviões 2, que estreou quinta, 17, já pegou a crítica cansada. Acusando o filme de repetir chavões das animações ‘didáticas’ da Disney, a crítica também terminou por se repetir. A surpresa – o…

Como se avalia um filme que já é derivado de outro? Quando estreou o primeiro Aviões, quase todo mundo deu-se conta de que era quase um carro com asas. Aviões 2, que estreou quinta, 17, já pegou a crítica cansada. Acusando o filme de repetir chavões das animações ‘didáticas’ da Disney, a crítica também terminou por se repetir. A surpresa – o filme de Roberts Gannaway não é pior que o primeiro. É até melhor, embora não seja nenhum Ratatouille.
Embora se chame no Brasil Aviões 2, o título norte-americano é Aviões – Fogo e Resgate, Fire & Rescue, que dá mais a ideia do que se trata. Se no primeiro filme Rusty, o simpático aviãozinho, superou-se para virar ás das disputas aéreas, no segundo, ele já começa tendo de lidar com a perda. Uma avaria do motor o coloca fora do circuito das corridas. Em busca de um sentido para a vida, Rusty, que já era originalmente um avião fumigador – daqueles que despejam veneno contra insetos nas plantações -, resolve arriscar-se numa atividade heroica. E vira avião/bombeiro.
Fogo e resgate – a ação passa-se em boa parte num parque natural que parece ser um resumo das belas paisagens das maiores reservas naturais dos EUA. Aos temas da perda – e da superação do filme anterior -, superpõe-se o aprendizado. Rusty tem de aprender a função, e o que descobre é que ser bombeiro não é nada fácil, principalmente quando o próprio maquinário não é 100% e o impede de fazer os magníficos voos da aventura anterior. Ele aprende errando. Para complicar, a ganância pelo lucro do administrador do parque cria uma situação em que aviões, carros e trens correm perigo, ameaçando ser devorados pelo maior incêndio que o lugar já viu.
Carros, trens e aviões são veículos muito móveis – claro – e isso favorece o andamento de qualquer narrativa. Sem muitas novidades, mas com competência – e um belo visual -, o filme cria situações heroicas como o resgate dos velhinhos que voltam ao local da sua lua de mel.
Rusty continua simpático, e tem uma apaixonada. Ela se chama Dipper e é o avião de abastecimento. Quem dubla a personagem é Tatá Werneck (leia entrevista ao lado). A Valdirene da novela Amor à Vida retoma a função de Ivete Sangalo na dublagem de Aviões (o primeiro). Ela tem de abrasileirar o filme. Para isso, o filme se apropria de um monte de expressões da moda – ‘Beijinho no ombro’, ‘Rei do camarote’ e quetais. Os adultos meio que se exasperam, mas ver o filme com crianças mostra que elas entram no clima.
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