Bélgica mostra, finalmente, a sua verdadeira cara

Quando a Bélgica passou da fase de grupos com três vitórias em três jogos, o discurso foi unanimemente positivo: o objetivo havia sido cumprido. O futebol apresentado, porém, ainda não havia convencido analistas e torcedores. Apesar da classificação folgada, a seleção tivera dificuldades nas três partidas. Nas oitavas de final, os Diabos Vermelhos voltaram a sofrer, mas desta vez enfrentaram um adversário que não se limitou a defender, o que lhes permitiu jogar como queriam e fazer uma pequena confissão: nem eles estavam satisfeitos consigo mesmos. “Não vínhamos jogando bem, estávamos muito tensos”, admitiu Kevin Mirallas, como se tirasse um peso dos ombros.

Escrito por: Da redação3 min de leitura
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Quando a Bélgica passou da fase de grupos com três vitórias em três jogos, o discurso foi unanimemente positivo: o objetivo havia sido cumprido. O futebol apresentado, porém, ainda não havia convencido analistas e torcedores. Apesar da classificação folgada, a seleção tivera dificuldades nas três partidas. Nas oitavas de final, os Diabos Vermelhos voltaram a sofrer, mas desta vez enfrentaram um adversário que não se limitou a defender, o que lhes permitiu jogar como queriam e fazer uma pequena confissão: nem eles estavam satisfeitos consigo mesmos. “Não vínhamos jogando bem, estávamos muito tensos”, admitiu Kevin Mirallas, como se tirasse um peso dos ombros.

Contra os Estados Unidos, os belgas tiveram que esperar mais de 90 minutos para comemorar, mas não demoraram muito tempo para mostrar sua outra face. Divock Origi deu o tom logo no primeiro minuto, concluindo uma jogada coletiva. O goleiro Tim Howard também, ao levar a melhor no mano a mano. Seria apenas a primeira de uma longa série de defesas. Os números são eloquentes: foram 38 finalizações belgas, 27 na direção do gol americano. Após a partida, Vincent Kompany ainda custava a acreditar. “Fomos impressionantes no ataque. O goleiro deles foi o responsável pela prorrogação”, disse.

O zagueiro sabe que as expectativas em torno dos Diabos Vermelhos são altas e que eles haviam deixado muitos espectadores decepcionados. Mas, como bom capitão, fez questão de defender seus companheiros. “É preciso duas equipes para haver um jogo espetacular.” Após sofrerem física e psicologicamente na fase de grupos, os belgas finalmente puderam atuar como preferem: no ataque. “Os americanos jogaram ofensivamente. Era tudo que pedíamos. Hoje, ambos queriam o mesmo”, acrescentou Kompany.

Emoção à flor da pele
Kevin de Bruyne concordou que a postura do adversário ajudou a seleção de Marc Wilmots. “Os Estados Unidos tentaram mais buscar a vitória do que evitar a derrota. E aí pudemos aproveitar os espaços.” Autor do primeiro gol da Bélgica, o meia se divertiu em campo, principalmente ao lado de Eden Hazard. O entrosamento da dupla enfim saltou aos olhos. “Que prazer poder jogar sem o freio de mão puxado”, afirmou satisfeito.

Daniel Van Buyten, no entanto, lamentou a ineficiência diante do gol. “Deveríamos ter decidido a partida desde cedo.” O zagueiro sofreu ao ver seus atacantes esbarrarem seguidamente na muralha americana, mas ficou satisfeito com a atuação da equipe. “A Bélgica pôde mostrar que sabe jogar futebol. Não tivemos que fazer uma batalha de nervos. O jogo foi definido no plano físico e técnico.”

Na estreia da Bélgica, contra a Argélia, Romelu Lukaku teve atuação apagada. Contra a Rússia, pela segunda rodada, o atacante foi igualmente inoperante. Marc Wilmots decidiu então barrá-lo. A reserva feriu seu orgulho e a oportunidade de dar a volta por cima veio com a sua entrada em campo contra os EUA. “Quase chorei após fazer o gol. Estou vivendo o melhor momento da minha vida. Aos 21 anos, marquei em uma Copa do Mundo. Treinei todos esses anos para sentir essa emoção.”

A honra da palavra final coube ao capitão. “Temos boas chances contra a Argentina nas quartas de final caso eles joguem com a intenção de buscar o gol”, avisou Kompany.

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