Motoristas de aplicativo relatam terem sofrido ao menos 10 assaltos em três dias em São José

O pedido por segurança foi o que motivou o protesto da categoria na cidade

Escrito por: Vinicius Assis4 min de leitura
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“A gente está com pavor de sair para trabalhar, já passou de medo, a segurança dos aplicativos é zero”, esse foi o relato de Tuca Hugenneyer, um dos motoristas de aplicativo que participou do protesto na manhã desta segunda-feira (20). A categoria relata que foi vítima de, ao menos, 10 assaltos entre sexta-feira (17) e domingo (19). Para tentar frear a onde de violência, os motoristas exigem mudanças nas plataformas e intervenção da prefeitura.

Na última sexta-feira (17), um motorista de aplicativo foi vítima de um assalto que por pouco não se tornou um sequestro relâmpago. Dois criminosos assaltaram o trabalhador e tentaram enforcar a vítima com um cadarço, mas foram flagrados pela polícia. Os dois tentaram fugir, mas foram presos após uma perseguição.

Já no sábado (18), outro motorista de São José dos Campos foi assassinado, mas em Jacareí. Ele estava atendendo uma corrida na cidade quando foi abordado por dois homens, teve o dinheiro roubado e foi morto com um tiro no peito. A polícia ainda não sabe se os criminosos eram passageiros da vítima e o caso segue sob investigação.

No domingo (19) outro motorista joseense foi vítima de um assalto. Ele foi atender a um chamado de corrida, mas suspeitou dos passageiros e compartilhou as informações da viagem com os colegas de trabalho. Após a demora para retornar as chamadas dos amigos, alguns motoristas acionaram a polícia e foram tentar encontrar o companheiro de trabalho. Pouco tempo depois descobriram que ele havia sido assaltado e teve o carro levado, além de ter sofrido uma coronhada na cabeça.

Os motoristas relatam que somente nesses três dias, foram cometidos 10 assaltos do mesmo modo. Os criminosos acionam os motoristas pelo aplicativo e cometem o assalto no final da corrida. A falta de segurança gerou os protestos na cidade, que reuniram aproximadamente 400 motoristas.

Assim como outros motoristas, Tuca Hugenneyer deseja uma intervenção da prefeitura e dos apps, para ter mais segurança ao trabalhar. “O prefeito tem que olhar por nós, acho que são mais de 6 mil motoristas aqui em São José dos Campos, que tão trabalhando duro, trabalhando 10, 12, 14 horas por dia as vezes, todos os dias da semana e nada é feito”, reclamou Hugenneyer.

Richard Dias, é presidente da AMAPVale (Apoio aos Motoristas de Aplicativo do Vale do Paraíba) e afirmou que terá uma reunião com o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) para discutir as melhorias para a categoria nesta terça-feira (21).

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A expectativa do protesto é reunir mais de 200 motoristas (Reprodução)

Outro representante dos motoristas, André Cabral informou o porquê da categoria querer conversar com o executivo da cidade. “Já tentamos falar com os aplicativos várias vezes, mas eles não nos ouvem, só falam que estão trabalhando, agora queremos falar com o prefeito, querermos que ele ponha alguns itens de segurança no decreto e obrigue os aplicativos a segui-los”, afirmou Cabral.

O decreto em questão é o de 2017, que regulamenta o funcionamento dos serviços de motoristas por aplicativo na cidade. Com a regulamentação, a Prefeitura de São José dos Campos cobra 1% do valor das corridas em impostos.

Por meio de nota, a prefeitura da cidade informou que “não tem a competência para interferir na relação que a empresa mantém com os seus prestadores de serviço”. Ainda assim a administração municipal afirmou que mantém a “postura de diálogo com a população e empreendedores, o prefeito estará disponível para atender uma comissão de motoristas para ouvir as reivindicações da categoria”.

A Polícia Militar foi procurada para divulgar os dados sobre ocorrências envolvendo a categoria e o que tem sido feito para diminuir os crimes contra a categoria, mas não se manifestou até o fechamento da matéria. A Uber foi procurada, mas ainda não se manifestou.

A 99 informou por meio de nota que “lamenta profundamente o caso e repudia o ato de violência contra o motorista” e que a empresa está apurando o caso e presta atendimento à família. O app disponível para colaborar com as investigações da polícia no esclarecimento do ocorrido”. Quanto a segurança no aplicativo “A empresa reitera que adota procedimento de segurança antes, durante e depois das corridas”, mostrando informçãos sobre o destino final do cliente e outras informações sobre o passageiro, além da opção de compartilhar rotas, gravar áudio e ligar para a polícia e uma central telefônica 24 horas para emergências. A empresa ainda disse que “segue aberta ao diálogo com motoristas e poder público para construir soluções benéficas que aumentem a segurança”.

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O grupo se reuniu no Parque da Cidade (Reprodução)
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