Ernesto Araújo defende ataques de Bolsonaro à imprensa e diz que é ‘estilo’ do presidente
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu nesta terça-feira (2) a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de mandar, na semana passada, a imprensa enfiar “no rabo” latas de leite condensado, após ser questionado sobre gasto de R$ 1,8 bilhão do governo federal em alimentos e bebidas no ano…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu nesta terça-feira (2) a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de mandar, na semana passada, a imprensa enfiar “no rabo” latas de leite condensado, após ser questionado sobre gasto de R$ 1,8 bilhão do governo federal em alimentos e bebidas no ano de 2020.
Durante uma entrevista ao programa Morning Show, da rádio Jovem Pan, Ernesto disse que é “o estilo” do presidente. O ministro estava com Bolsonaro na churrascaria em 27 de janeiro quando o presidente atacou os jornalistas.
Questionado no programa, afirmou que não achou “infantil” ele ter dado risada após a fala de Bolsonaro ou endossado o grito de “MI-TO! MI-TO!” que veio em seguida.
“O que eu vejo é que grande parte da imprensa joga contra o país. E ela precisa ouvir isso de diferentes maneiras”, continuou. Ele disse que acha “válido” qualquer gesto para chamar a atenção para o “papel absolutamente deletério, mentiroso, falso que boa parte da imprensa está desempenhando contra os interesses nacionais”.
Para o chanceler, “é absolutamente fundamental para o papel transformador” de Bolsonaro que ele seja visto como um mito pela população. “Eu acho que a gente tem veneração pela verdade.”
Na terça (26), o deputado David Miranda (PSOL-RJ) protocolou uma ação pedindo que o procurador-geral da República, Augusto Aras, investigue o caso que motivou a irritação do presidente.
O gasto foi divulgado pelo portal Metrópoles, que aponta que o valor equivale a um aumento de 20% em relação a 2019. Entre os produtos adquiridos estão R$ 2,5 milhões em vinhos para o Ministério da Defesa, R$ 15 milhões em leite condensado e R$ 2,2 milhões em gomas de mascar.
Na quarta (27), o Ministério da Defesa emitiu nota comentando os gastos feitos pela pasta, alegando ser a sua função “prover alimentação aos militares em atividade”. “Ao contrário dos civis, os militares não recebem qualquer auxílio alimentação”, diz o texto.
De acordo com a Defesa, o efetivo de militares da ativa é de 370 mil homens e mulheres, que diariamente realizam suas refeições, em 1.600 organizações militares espalhadas por todo o país.
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