Maior parte da mídia americana caracteriza invasão ao Congresso como rebelião e violência
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Termos como rebelião, manifestantes, violência e invasão ocupam manchetes e reportagens dos principais veículos norte-americanos desde a tarde desta quarta-feira (6). Em meio ao consenso de que a invasão do Congresso por apoiadores de Donald Trump não tem comparação equivalente, ao menos na história recente…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Termos como rebelião, manifestantes, violência e invasão ocupam manchetes e reportagens dos principais veículos norte-americanos desde a tarde desta quarta-feira (6).
Em meio ao consenso de que a invasão do Congresso por apoiadores de Donald Trump não tem comparação equivalente, ao menos na história recente da democracia no país, jornais e emissoras de televisão dividem-se entre os que nomeiam o vandalismo no Capitólio como um ato de manifestantes e aqueles que o caracterizam como motim, arruaça.
Enquanto alguns poucos veículos referem-se aos apoiadores do republicano como manifestantes (protesters), a maioria adota multidão ou termos mais próximos de rebelados, baderneiros e arruaceiros (rioters).
É o caso do New York Times, que tem se referido a uma multidão de apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio. O jornal diz que os insurgentes agindo em nome do presidente vandalizaram o local.
Em linha semelhante, o Washington Post tem priorizado rioters. Milhares de baderneiros invadiram o Capitólio estadunidense, diz o diário.
O Wall Street Journal segue o mesmo tom, destacando que a multidão pró-Trump ameaçou os parlamentares.
Entre as maiores emissoras de TV, CNN e CBS também destacam a multidão como violenta. Em reportagem, a CNN ainda esmiúça que o contingente de invasores tinha grande participação de grupos de conspiração e facções de extrema direita.
Já a Fox News, emissora ex-aliada de Donald Trump, tem adotado manifestantes pró-Trump para se referir ao grupo. A escolha se estende para o New York Post, que pertence ao mesmo dono da Fox, Rupert Murdoch, e que declarou apoio ao republicano no pleito de 2020.
O jornal tem adotado também uma furiosa multidão pró-Trump, como se o episódio fosse uma explosão espontânea, e não algo propositadamente incitado. Em editorial, criticam o ocorrido, argumentando que o que começou como um protesto pacífico evoluiu quando uma facção invadiu o prédio. No mesmo texto, porém, o New York Post equipara o que foi feito no Capitólio com o tom de protestos antirracistas em memória de George Floyd.
O Washington Times, que declarou apoio a Trump nas eleições, segue a linha do milhares de apoiadores de Trump furiosos. Em editorial, diz que o presidente errou ao insuflar o grupo, o que teria aberto a porta para uma torrente de emoção não-americana.
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