Mianmar suspende trabalho do MSF em Rakhine
O grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) será forçado a deixar de atender doentes em um Estado de Mianmar dividido pela violência sectária, por causa do trabalho com a minoria muçulmana rohingya, informaram meios de comunicação do país nesta sexta-feira. O porta-voz presidencial Ye Htut disse ao jornal Mianmar Freedom que o contrato do…

O grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras (MSF) será forçado a deixar de atender doentes em um Estado de Mianmar dividido pela violência sectária, por causa do trabalho com a minoria muçulmana rohingya, informaram meios de comunicação do país nesta sexta-feira.
O porta-voz presidencial Ye Htut disse ao jornal Mianmar Freedom que o contrato do Médicos Sem Fronteiras no Estado de Rakhine não seria estendido porque o grupo teria contratado “Bengalis”, termo usado pelo governo para os rohingya. De acordo com o porta-voz, a avaliação do governo é de que falta transparência no trabalho do grupo.
Ele criticou o grupo pelo tratamento de pacientes após um ataque na parte norte do Estado no mês passado. O governo nega veemente alegações de que uma multidão budista invadiu uma aldeia, matando mulheres e crianças.
O MSF afirmou ter tratado 22 rohingya feridos e traumatizados. As Nações Unidas (ONU) disseram que mais de 40 integrantes do grupo étnico foram mortos, mas o governo apontou que apenas um policial budista morreu.
Ao jornal 7 Day, Ye Htut disse que “a presença do grupo tem mais impactos negativos do que benefícios” e que o contrato não foi renovado porque a o trabalho do MSF “poderia aumentar a tensão e colocar em risco a paz e a tranquilidade na região”. Ye Htut não foi localizado para comentar o assunto. Procurada, a organização de ajuda internacional, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1999, não se manifestou sobre o tema.
Muitos dos 1,3 milhões de rohingya, grupo étnico identificado pela ONU como uma das minorias mais perseguidas no mundo, que vivem em Mianmar estão no país há gerações, mas o governo insiste que eles vivem no local ilegalmente. Quase todos tiveram pedidos de cidadania negados, tornando-se apátridas. Políticas sistemáticas e discriminatórias limitam a sua liberdade de movimento, o seu acesso aos cuidados de saúde, o direito à prece e a ter filhos. Fonte: Associated Press.
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