Poloneses protestam contra proibição ao aborto em dezenas de cidades
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Dezenas de milhares de pessoas protestaram na noite desta sexta (29) contra lei que praticamente baniu o aborto na Polônia. As manifestações ocorreram em ao menos 35 cidades e, em Varsóvia, houve conflito com a polícia. Promovido principalmente por jovens, as marchas adotam propositalmente slogan agressivos,…

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Dezenas de milhares de pessoas protestaram na noite desta sexta (29) contra lei que praticamente baniu o aborto na Polônia. As manifestações ocorreram em ao menos 35 cidades e, em Varsóvia, houve conflito com a polícia.
Promovido principalmente por jovens, as marchas adotam propositalmente slogan agressivos, como “Isto é guerra”, “Esta bruxa não será queimada” e “Foda-se!”. Segundo organizadores dos movimentos de protesto, o objetivo é mostrar aos conservadores de direita que governam o país que eles ultrapassaram os limites.
Desde que chegou ao poder, em 2015, o partido Lei e Justiça (Pis) intensificou seu discurso pela família e pela moral católica, atacou movimentos LGBT e aumentou o controle sobre a imprensa e a Justiça.
A proibição do aborto em casos de má-formação congênita, transformada em lei à 0h desta quinta (28), foi resultado de uma decisão do Tribunal Constitucional (equivalente ao Supremo no Brasil), no qual 11 dos 12 juízes foram nomeados pelo partido governante. Além disso, a presidente do tribunal, Julia Przylebska, faz parte do círculo íntimo do homem forte do país, o vice-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.
Reprimidos com gás lacrimogêneo, os manifestantes em Varsóvia tentavam justamente chegar à rua em que mora Kaczynski, segundo a tradutora Marta, que participava das marchas e falou com a reportagem por aplicativo de mensagens, às 22h30 desta sexta (18h30 no Brasil). Com o centro da cidade bloqueado por policiais, eles faziam um “jogo de gato e rato”, segundo ela.
Também tentavam convencer os policiais a recuar na repressão, com gritos de guerra nos quais pediam que eles ouvissem suas mães ou se desculpassem com suas filhas. A polícia rebatia com mensagens em alto-falantes, avisando que as manifestações estavam proibidas e pedindo que os participantes voltassem para casa.
Emissoras de TV polonesas mostraram o prefeito de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, participando do protesto. Um liberal de centro, Trzaskowski foi o principal opositor ao partido governista nas eleições presidenciais de 2020, no qual uma Polônia bastante dividida reelegeu por margem mínima o presidente Andrzej Duda, apoiado pelo PiS.
“Esperemos que o PiS acabe cedendo a essa enorme pressão da maioria das polonesas e dos poloneses, porque não há consentimento para uma lei tão vergonhosa”, disse ele em live em redes sociais.
A atual legislação sobre o aborto era aprovada pela maioria da população, e tentativas anteriores de endurecê-la provocaram protestos em várias cidades polonesas em mais de uma ocasião.
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