Protestos contra violência policial deixam sete mortos e mais de 350 feridos na Colômbia
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Sete pessoas foram mortas e mais de 350 ficaram feridas entre a tarde de quarta (9) e a madrugada desta quinta (10) durante protestos contra a violência policial em Bogotá e Soacha, na região metropolitana da capital colombiana. As manifestações são uma reação a um vídeo que mostra o advogado Javier…

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Sete pessoas foram mortas e mais de 350 ficaram feridas entre a tarde de quarta (9) e a madrugada desta quinta (10) durante protestos contra a violência policial em Bogotá e Soacha, na região metropolitana da capital colombiana.
As manifestações são uma reação a um vídeo que mostra o advogado Javier Ordóñez, 46, sendo imobilizado por policiais e atingido diversas vezes por uma arma de choque do tipo “taser”. Segundo relatos de testemunhas à imprensa local, Ordoñez teria resistido a uma ordem de prisão.
No vídeo, que viralizou em redes sociais, é possível ouvir o advogado, já imobilizado, dizendo “por favor, parem” e “agente, eu lhe suplico”. Logo, começam gritos de “assassinos”, e pedras são atiradas contra os policiais. Inconsciente, a vítima foi arrastada do local e levada a um hospital no distrito de Villaluz, mas morreu algumas horas depois.
O episódio ocorreu em Engativá, na região metropolitana de Bogotá. Logo após o ocorrido, distúrbios e ataques contra oficiais começaram a ocorrer em outras localidades da região, como Bosa, Kennedy, Suba e no município de Soacha. Os confrontos também ocorreram em outras capitais, como Cali e Medelín.
Carros e caminhões de lixo foram incendiados. Houve também tentativas de ataques a delegacias. De acordo com a prefeita de Bogotá, Claudia López, 114 policiais e 248 civis ficaram feridos –58 por armas de fogo. Setenta pessoas foram presas, a maior parte em Bogotá.
Nesta quinta, López disse que a violência policial não se limita a “maçãs podres”, sugerindo que o episódio não é um fato isolado, e sim uma problema estrutural. Ela pediu, porém, que a população mantivesse a serenidade e deixasse de agir de modo violento.
“Destruir Bogotá não consertará a polícia”, escreveu em uma postagem no Twitter. “Vamos nos concetrar em buscar justiça e reformas estruturais.” Em pronunciamento na manhã desta quinta, a prefeita pediu à polícia de Bogotá que retomasse o controle das ruas.
“Condenamos o abuso da polícia, mas também condenamos a violência e o vandalismo por parte dos manifestantes. O abuso e a violência não se solucionam com mais violência”, disse ela. “Nestes momentos devemos nos aferrar à Constituição e à mobilização pacífica”.
O presidente colombiano, Iván Duque, afirmou que não pode haver tolerância contra abuso de autoridade, mas pediu que os colombianos não estigmatizem a polícia.
Os dois agentes flagrados no vídeo foram afastados, e uma investigação iniciada pela polícia foi transferida para a Procuradoria. O ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, do mesmo partido de Duque, afirmou que os agentes envolvidos na morte de Ordóñez “já são objeto de investigação disciplinar e legal”.
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